Revelações sobre a Biodiversidade da Serra do Espinhaço
Um estudo significativo realizado na Serra do Espinhaço documentou a presença de 18 espécies de anuros, como sapos, rãs e pererecas, que habitam ambientes cavernícolas. A pesquisa concentrou-se principalmente no Parque Estadual do Itacolomi e no Monumento Natural Estadual da Serra da Piedade, ambos administrados pelo Instituto Florestal Estadual (IEF). O projeto, intitulado ‘Ecologia de Vertebrados Associados a Cavernas do Espinhaço Meridional’, também abrangeu unidades de conservação federais, incluindo o Parque Nacional da Serra do Gandarela e o Parque Nacional da Serra do Cipó.
Os pesquisadores descobriram que algumas dessas espécies foram encontradas apenas em sua fase adulta, como os sapos Rhinella gr. crucifer e R. rubescens, bem como as rãs Physalaemus erythros e Thoropa megatympanum. Além disso, as pererecas Scinax fuscovarius e S. machadoi também foram registradas. Contudo, um dos maiores achados da pesquisa foi a identificação de girinos e adultos em cavernas que possuem corpos d’água, sugerindo que a reprodução pode ocorrer nessas áreas. Entre as espécies notáveis estão Bokermannohyla martinsi, B. alvarengai, B. nanuzae e B. saxicola, todas do mesmo gênero.
Indícios de Reprodução em Ambientes Subterrâneos
O estudo revelou que girinos, fêmeas e machos vocalizando foram observados durante praticamente todas as estações do ano, o que reforça a hipótese de reprodução em cavernas. Maurício Andrade, analista ambiental do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Cavernas (Cecav) do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e coordenador do projeto, explica que a confirmação se deu ao constatar a ausência de cursos d’água superficiais a montante das cavernas analisadas. “Isso indica que não havia possibilidade de carreamento de girinos para o interior das cavernas, o que comprova que algumas dessas espécies realmente se reproduzem nesses ambientes”, destaca Andrade.
Pesquisas anteriores já tinham documentado o uso sazonal e a fidelidade de Bokermannohyla martinsi em cavernas ferruginosas no Parque Nacional da Serra do Gandarela como uma estratégia de proteção contra condições climáticas adversas. Entretanto, essas cavernas não apresentavam cursos d’água. Em contrapartida, as cavernas quartzíticas do Parque Estadual do Itacolomi proporcionam condições favoráveis para a reprodução da espécie.
Diversidade de Vertebrados Subterrâneos
Embora os morcegos sejam os vertebrados mais comumente associados a cavernas, o estudo também revelou a presença de outras espécies, como aves e répteis. Foram registradas oito espécies de aves, duas de lagartos, duas de serpentes e uma de lagartixa, destacando-se entre as aves o tapaculo-serrano (Scytalopus petrophilus).
A Importância da Pesquisa e Conservação
As pesquisas sobre ecologia e comportamento em ambientes subterrâneos ainda estão se desenvolvendo, mas são essenciais para uma compreensão mais ampla sobre o papel das cavernas na vida dos vertebrados. Esses estudos são fundamentais para a elaboração de estratégias de conservação que visem proteger tanto as espécies quanto os ambientes cavernícolas.
Para conduzir pesquisas em unidades de conservação, é imprescindível obter autorização prévia do órgão gestor. Edmar Monteiro Silva, gerente de Criação e Manejo de Unidades de Conservação do IEF, enfatiza que esse procedimento garante que os estudos sejam realizados de maneira responsável e alinhada aos objetivos de conservação. “A anuência permite que o órgão acompanhe e avalie as atividades, assegurando conformidade com as normas ambientais e contribuindo para a gestão das Unidades de Conservação”, afirma.
