Justiça e condenação
A Justiça de Minas Gerais proferiu uma sentença severa contra o ex-padre Bernardino Batista dos Santos, de 78 anos, condenando-o a 24 anos e 9 meses de prisão pelo crime de estupro de vulnerável. A decisão foi tomada na última segunda-feira (5), em um processo que tramita sob segredo de justiça, o que comprova a gravidade das acusações e a proteção das vítimas. O tribunal considerou que o réu, ao ser um líder religioso, exerceu autoridade sobre a vítima, o que agravou sua pena.
Apesar da condenação, o Tribunal de Justiça (TJMG) permitiu que Bernardino recorra em liberdade. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp) informou que ele está sendo monitorado por meio de uma tornozeleira eletrônica desde novembro de 2024, uma medida de segurança que visa acompanhar seus movimentos enquanto aguarda a decisão final sobre o recurso.
Os detalhes do caso
A denúncia do Ministério Público (MPMG) foi formalizada em 20 de dezembro de 2024, dando início a uma investigação minuciosa. Em 25 de novembro de 2025, a audiência de instrução e julgamento foi realizada, onde foram ouvidos o acusado, 15 testemunhas e uma informante, todos contribuindo para a elucidação dos fatos.
O caso ganhou notoriedade após a denúncia de que Bernardino, conhecido como “Santo do Paraíso”, teria cometido abusos sexuais contra uma criança de apenas 3 anos em 2016. Os crimes ocorreram em um sítio na cidade de Tiros, no Alto Paranaíba, onde o ex-padre se aproveitava de seu papel para atrair crianças em excursões escolares.
Abusos sistemáticos e abrangência
As investigações revelaram que o acusado não se limitou a um único incidente: a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) identificou que Bernardino pode ter abusado de mais de 50 crianças entre 3 e 11 anos desde a década de 1980. Os relatos indicam que ele agia de maneira estratégica, afastando as vítimas de seus pais, que confiavam nele por conta de sua posição como líder religioso. Os abusos, segundo a PCMG, incluíram diversas formas de violência, como conjunção carnal.
Além disso, Bernardino atuou em várias paróquias, incluindo a Igreja de Santa Luzia, localizada no bairro Paraíso, na Região Leste de Belo Horizonte, e na Paróquia Cristo Rei, em Contagem, Grande BH. A extensão de seus crimes e o número elevado de vítimas revelam a necessidade de uma reflexão profunda sobre a proteção de crianças em ambientes religiosos.
Como denunciar abusos
Em resposta a essa situação alarmante, é fundamental que as pessoas saibam como agir caso se deparem com situações similares. Denúncias de abusos podem ser feitas pessoalmente em uma unidade policial ou através dos canais de denúncia, como o disque 100 ou 181. A Polícia Civil de Minas Gerais assegura o anonimato e a confidencialidade dos denunciantes, incentivando que mais vítimas se sintam seguras para relatar seus traumas. Em situações de emergência, os números para contato são 190 (Polícia Militar), 193 (Corpo de Bombeiros) e 197 (Polícia Civil).
