Análise do Cenário Econômico em Belo Horizonte
A confiança dos empresários do comércio em Belo Horizonte caiu 0,5 ponto em fevereiro de 2026, segundo a pesquisa Índice de Confiança do Empresário do Comércio (ICEC). Essa pesquisa, realizada mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio (CNC) e analisada pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio MG, avalia a percepção dos empresários sobre a economia atual e as expectativas para o futuro. O indicador varia de 0 a 200 pontos, com marcas acima de 100 indicando otimismo e abaixo de 100, pessimismo.
Embora ainda apresente um resultado positivo, os dados revelam uma crescente preocupação com a situação econômica atual, refletindo uma diminuição nas intenções de investimento. O ICEC de fevereiro mostra que as empresas com mais de 50 funcionários mantêm um índice de confiança acima de 100 pontos, enquanto aquelas com menos de 50 empregados registram 96,7 pontos. Curiosamente, mais de 60% das empresas, independentemente do porte, afirmam que planejam contratar novos funcionários.
Setores com Confiança Variada
Entre os setores analisados, os comerciantes de semiduráveis são os únicos a manter a confiança em um nível positivo, com 105,3 pontos. Em contraste, os empresários de bens duráveis e não duráveis não alcançaram a marca de 100 pontos. Isso evidencia uma heterogeneidade nas percepções setoriais, que pode estar relacionada a características específicas de cada segmento.
Análise das Condições Atuais e Expectativas Futuras
O Índice das Condições Atuais do Empresário do Comércio (ICAEC) apresentou uma leve alta, subindo de 71,6 para 72,6 pontos em fevereiro. No entanto, a comparação com janeiro revelou uma queda na percepção de piora, que recuou 0,8 ponto, atingindo 66,6 pontos. Isso sugere que, embora haja uma ligeira melhora nas condições atuais, a desconfiança ainda persiste entre os empresários.
As expectativas dos empresários também sofreram um pequeno retrocesso, com o Índice de Expectativa do Empresário do Comércio (IEEC) marcando 119,0 pontos, uma queda de 0,5 ponto em relação ao mês anterior. Apesar disso, tanto empresas com mais de 50 funcionários quanto aquelas com menos de 50 permanecem dentro da margem de confiança, superando os 100 pontos.
Ademais, a expectativa de melhora no comércio aumentou, passando de 64,8% em janeiro para 65,0% em fevereiro. Em contrapartida, a previsão para as empresas teve um leve recuo, com 74,3% acreditando que a situação do setor irá melhorar, apresentando uma queda de 0,1% em relação ao mês anterior.
Expectativas de Investimento e Contratação
O Índice de Investimento do Empresário do Comércio (IIEC) também apresentou uma diminuição, saindo de 101,5 pontos em janeiro para 99,4 pontos em fevereiro. Apesar desse recuo, a expectativa de novos investimentos ainda é significativa, com 68,8% das empresas de grande porte e 63,3% das de menor porte manifestando a intenção de ampliar suas contratações.
Gabriela Martins, economista da Fecomércio MG, comenta que a discrepância entre a queda na confiança e a alta na expectativa de contratações pode ser explicada pela atual conjuntura econômica. “Estamos vendo um nível elevado de endividamento entre os consumidores e altas taxas de juros, o que afeta o consumo das famílias e, por consequência, o investimento dos empresários. Contudo, o aumento real na renda e um mercado de trabalho aquecido ajudam a atenuar esses efeitos negativos. Muitos comerciantes relatam ter mão de obra disponível para atender a demanda, o que sustenta a expectativa de novas contratações”, explica Martins.
