Uma Atração Culinária em Macau
O sabor do caldo de feijão com toque de feijoada é apenas uma das delícias que os visitantes da feira em Macau têm a oportunidade de experimentar. Vitor Velloso, um dos sócios da casa Pirex, criada em 2021, descreve a sensação de ser selecionado para participar do evento como “semelhante a ser convocado para atuar em uma Copa do Mundo”. Para o público local, a união de pratos tradicionais do famoso bar Galeria São Vicente, localizado na Rua Raul Soares, e o paladar asiático foi cuidadosamente elaborada.
“Realizamos algumas adaptações para criar um verdadeiro ponto de encontro entre as culturas. Um exemplo disso é nosso bolovo, que aqui recebeu uma marinada de shoyu, comum na Ásia. Já no pão de queijo, acompanhado de doce de leite, adicionamos gergelim, criando um contraste saboroso entre o salgado e o doce”, explica Vitor.
Semelhanças Entre Culturas
Macau, assim como o Brasil, tem uma forte influência da colonização portuguesa, e isso se reflete em elementos que surpreendem os visitantes: calçadas de pedras portuguesas e ruas com nomes em português são alguns dos exemplos que tornam a experiência ainda mais familiar. “É fácil esquecer que estamos tão longe do Brasil. A herança portuguesa em nossa gastronomia é um elo que nos une”, destaca Vitor. Porém, ele ressalta que a principal diferença entre as culinárias reside na intensidade de tempero e picância.
Nos últimos dias do evento, as filas se formaram diante do estande do Pirex, onde havia uma expectativa crescente por pratos como o pão de queijo, a moela e o bolovo. “Temos enfrentado dificuldades para atender toda a demanda, o que traz uma alegria imensa (e muito trabalho) para nossa equipe”, comenta.
Delícias do Café Palhares
André Palhares também participou da feira, representando a tradição da família com o Café Palhares, que existe desde 1938 e é famoso por seu KAOL, um prato que se tornou um ícone da gastronomia belo-horizontina. “Infelizmente, não podíamos levar o KAOL devido à complexidade da receita, que envolve seis ingredientes e muita preparação”, explica.
Por isso, foram escolhidos três pratos mais práticos: o pudim de leite condensado, que tem sido um verdadeiro sucesso, o sanduíche de pernil e o bolinho de carne, conhecido como ‘prexeca’. “Optamos pelo sanduíche de porco, já que o público local aprecia bastante esse tipo de carne. Também trouxemos o bolinho de carne, mas fizemos uma adaptação: ao invés de carne bovina, usamos um blend de porco para agradar o paladar dos macaenses e homenagear a linguiça do KAOL, que é feita diariamente no nosso café”, detalha André.
Um Clima de Festa e Troca Cultural
O ambiente na feira é de celebração e troca de experiências. “A união entre os participantes é notável, especialmente na interação entre os latino-americanos, que costumam ficar juntos ao final do dia, compartilhando uma cerveja e boas conversas. Embora países como China, Tailândia e Benin também estejam presentes, as barreiras culturais e linguísticas tornam a interação com eles menos intensa do que com os brasileiros”, diz André.
O Sucesso da Gastronomia Mineira
No primeiro fim de semana do evento, a comida de Belo Horizonte foi um dos principais destaques. Os pratos esgotaram rapidamente, evidenciando o sucesso das preparações. “O tempero marcante e a forma acolhedora de interagir com os visitantes foram cruciais para essa receptividade, com os pratos sendo vendidos antes mesmo do término das atividades diárias da feira”, relata André.
A Feira Internacional das Cidades da Gastronomia teve início no dia 20 de março e se encerrará no próximo domingo, dia 30, prometendo mais surpresas e experiências saborosas.
