Reflexões sobre o Futuro Político de Alckmin
No último dia 9 de fevereiro, em um evento em Belo Horizonte, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) foi indagado sobre seu futuro nas eleições para a presidência da República e o governo de São Paulo, que acontecerão em outubro. Durante o jantar do projeto Conexão Empresarial, o vice-presidente comentou sobre as expectativas em torno de sua possível candidatura e a influência do presidente Lula (PT) neste processo.
Em tom descontraído, Alckmin destacou a ansiedade que permeia tanto políticos quanto jornalistas: “Tem dois ansiosos na vida: políticos e jornalistas”, provocou a plateia, que incluiu empresários e autoridades da região. O vice-presidente, que também ocupa o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, fez uma reflexão sobre sua carreira política, lembrando que já foi governador de São Paulo e prefeito, cargos que, segundo ele, moldaram sua trajetória.
“Fui governador de São Paulo quatro vezes e o mais importante, que é prefeito. O Lyndon Johnson, presidente dos Estados Unidos, dizia: ‘poderia ser pior, eu poderia ser prefeito’”, ironizou, relembrando que iniciou sua vida pública aos 24 anos como prefeito de Pindamonhangaba, no interior paulista.
Possíveis Candidatos e Cenário Político
Ao final do evento, Alckmin atendeu à imprensa e reiterou que ainda é cedo para definir candidaturas em São Paulo. O vice-presidente mencionou vários nomes que poderiam ser considerados para a disputa, incluindo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, o ex-governador Márcio França e a ministra do Planejamento, Simone Tebet. “Temos muitos candidatos que podem representar São Paulo bem. E não se trata de uma decisão centralizada em Brasília, mas sim de ouvir as lideranças locais”, afirmou.
Sobre o cenário em Minas Gerais, Alckmin também destacou a relevância de nomes como o senador Rodrigo Pacheco (PSD), que já foi presidente do Congresso Nacional, e do ex-ministro Walfrido Mares Guia. “O estado possui várias lideranças e nomes que podem se candidatar, isso é um ponto muito importante”, ponderou, fazendo referência à possibilidade de Tadeu Leite (MDB) entrar na disputa, com o apoio do presidente Lula.
Importância de Minas Gerais e a Questão Partidária
Geraldo Alckmin enfatizou a importância de Minas Gerais nas eleições presidenciais, ressaltando que “quem ganha em Minas, ganha a eleição nacional”. Para ele, o estado representa a diversidade e a síntese da identidade brasileira. A conversa também abordou a proliferação de partidos no Brasil, que segundo Alckmin, gera instabilidade. “O excesso de siglas partidárias é um desafio. Muitas delas não são efetivamente partidos, mas apenas rótulos”, avaliou.
Ele acredita que, com o tempo, a cláusula de barreira irá ajudar a reduzir o número de partidos, o que deve melhorar a governabilidade do país. “A eleição municipal gira em torno de questões territoriais, como infraestrutura e serviços públicos; na estadual, a segurança e as estradas são prioridades; enquanto na nacional, a economia e a inflação são determinantes”, explicou Alckmin, que também salientou a relevância da situação econômica para as decisões eleitorais.
A Trajetória de Geraldo Alckmin
Com uma carreira política que começou aos 20 anos em sua cidade natal, Pindamonhangaba, Alckmin foi eleito vereador em 1972. Desde então, construiu uma trajetória marcada por diversos cargos, incluindo prefeito, deputado estadual e federal, e ocupou a vice-governadoria de São Paulo. Ele assumiu o governo do estado após a morte de Mário Covas e foi reeleito em 2003. Alckmin também se lançou na corrida pela presidência em 2006 e 2018 e, em 2022, foi eleito vice-presidente da República, ocupando o cargo ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva até 2026.
