Mobilizações em Belo Horizonte Buscam Soluções para Crise na Educação Pública
Na última segunda-feira (16), estudantes e profissionais da educação se reuniram em Belo Horizonte, Minas Gerais, para protestar contra a atual situação da greve na educação pública do estado. Os atos ocorreram em locais estratégicos, como a região do Barreiro e a Praça Sete, contando com a presença de representantes de sindicatos e da União Colegial de Minas Gerais (UCMG).
Essas manifestações visam intensificar a pressão sobre o governo de Romeu Zema (Novo), buscando conquistar apoio popular para as reivindicações da categoria. Os trabalhadores da educação decidiram manter a greve que teve início em 4 de março, conforme deliberação durante assembleia realizada no dia 11, no pátio da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), que reuniu educadores de diversas partes do estado.
A principal reivindicação é a recomposição salarial de 41,83%, que refere-se às perdas acumuladas entre 2019 e 2025, durante a administração atual. Além disso, um conjunto de demandas faz parte da Campanha Salarial Educacional para 2026. Denise Romano, coordenadora do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG), ressaltou nas redes sociais que “a responsabilidade por esta greve é do governador e do vice-governador, que tiveram 300% de aumento nos seus salários enquanto a educação enfrenta a precarização.”
O Sind-UTE/MG informou que, embora tenha realizado uma reunião com representantes do governo após a deflagração da greve, não houve avanços nas negociações. A entidade considera fundamental intensificar as mobilizações para garantir os direitos da categoria.
Entre as demandas, está a aplicação imediata do reajuste de 41,83% para todos os profissionais da educação básica, incluindo contratados e aposentados sem paridade. Também há pedidos por verbas retidas, promoções baseadas na escolaridade e o cumprimento do reajuste conforme a Portaria nº 82 do Ministério da Educação.
O sindicato aponta que aproximadamente 80% dos educadores estão em vínculos precários, e Minas Gerais ocupa a liderança negativa no ranking de precarização docente no Brasil. “Exigimos a nomeação imediata dos aprovados em concursos públicos. Os reajustes devem beneficiar todos os aposentados, independentemente da paridade. Quem construiu a educação merece respeito”, defendeu a entidade nas suas plataformas sociais.
Calendário de Mobilização e Lutas Futuras
O Comando Estadual de Greve estabeleceu um calendário de mobilização, que inclui novas ações nos próximos dias. Está prevista uma audiência pública sobre a campanha salarial para esta terça-feira (17) e uma nova assembleia da categoria para a quarta-feira (18).
Uma questão central das mobilizações é a oposição à privatização e terceirização da educação pública. O sindicato exige a suspensão do leilão de 95 escolas estaduais, programado para ocorrer no dia 25 de março na bolsa de valores B3, em São Paulo. Para a entidade, essa medida representa um avanço da terceirização no ensino público, o que pode comprometer tanto a qualidade da educação quanto as condições de trabalho dos profissionais.
O Outro Lado da Questão
Enquanto os educadores lutam por melhores condições e reconhecimento, é importante considerar a complexidade da situação atual. O governo enfrenta desafios financeiros significativos, mas os profissionais da educação argumentam que o investimento na educação é fundamental para o futuro do estado e do país. Assim, as negociações e diálogos entre as partes se tornam essenciais para encontrar uma solução que atenda aos interesses de todos.
