Greve de Garis e o Impacto da Chuva nas Ruas de BH
A chuva que caiu em Belo Horizonte na terça-feira (20) trouxe à tona um problema já crítico: o lixo acumulado em diversas áreas da cidade, intensificado pela greve dos garis que chega ao seu segundo dia. As regiões Leste, Nordeste e Noroeste da capital mineira são as mais afetadas, onde os trabalhadores que aderiram à paralisação estão atuando. Vários vídeos que circulam nas redes sociais mostram a enxurrada levando sacos de lixo em diferentes bairros, com moradores alarmados relatando o espalhamento de resíduos por calçadas e ruas. Segundo informações da Prefeitura, mais de 600 toneladas de lixo não foram recolhidas desde o início da greve.
A adesão ao movimento, composta por 200 garis terceirizados da empresa Sistemma Serviços Urbanos, a qual presta serviços de coleta para a prefeitura, reflete um descontentamento com as condições de trabalho. Em 2025, Belo Horizonte contava com cerca de 750 garis atuando, oriundos de nove empresas distintas. O bairro Santo André, na Região Noroeste, é um dos que mais sofre com a situação. A residente Fernanda Holman relatou: “Ontem não tivemos a recolha do lixo, e agora, com a chuva, as ruas estão com lixo espalhado por todo canto.”
Além disso, a região Nordeste também enfrenta problemas semelhantes. Kátia Fagundes, moradora do bairro Paulo VI, expressou sua frustração: “Há dias a coleta de lixo não passa, e meu portão virou o depósito de lixo, com todos os moradores em volta colocando lixo na minha porta.” Bairros como Padre Eustáquio e Coração Eucarístico também apresentam ruas e esquinas tomadas pelo lixo acumulado. As imagens da Rua Padre Argemiro Moreira, em Paulo VI, mostram claramente a situação crítica em que a cidade se encontra.
Diante do caos, a Prefeitura de Belo Horizonte informou que intensificou as operações de recolhimento de resíduos, mobilizando mais de 300 garis e uma frota de caminhões para as áreas mais impactadas. A Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) ressaltou que está atenta às negociações entre os trabalhadores e a empresa responsável. A prefeitura garante que todos os contratos estão em dia e que medidas estão sendo tomadas para garantir a continuidade do serviço de coleta de lixo.
A Greve dos Garis e Suas Reivindicações
A greve dos garis em Belo Horizonte, que começou nesta terça, é motivada por reivindicações por melhores condições de trabalho e a garantia de direitos trabalhistas. De acordo com avós representantes da categoria, a adesão ao movimento foi significativa, com 200 profissionais paralisando suas atividades. A Sistemma Serviços Urbanos, responsável pela coleta, tentou negociar a volta ao trabalho, mas não obteve êxito. A empresa, em nota, afirmou ter sido pega de surpresa e classificou a greve como irregular.
Os trabalhadores, por sua vez, criticaram a proposta apresentada pela Sistemma, que incluía apenas a contratação de dez novos funcionários para compensar a ausência e um prazo de dez dias para consertar a frota de caminhões. Esses termos foram considerados insuficientes, levando à decisão de manter a paralisação por tempo indeterminado. A situação em BH, com a chuva contribuindo ainda mais para o acúmulo de lixo, reflete não apenas a fragilidade do serviço público de coleta, mas também a urgência das demandas dos trabalhadores.
Essa realidade, infelizmente, não é inédita. Em outras cidades do Brasil, a falta de diálogo entre empresas e funcionários resulta em greves que impactam a população de maneira semelhante. Vale ressaltar que a continuidade desta situação pode gerar um impacto ainda maior na saúde pública da população. O que se espera agora é uma solução rápida e efetiva que atenda às necessidades tanto dos garis quanto da população de Belo Horizonte.
