Impactos da Guerra no Oriente Médio na Economia Brasileira
A guerra no Oriente Médio já está causando impactos significativos em diversos setores da economia brasileira. O petróleo, uma das principais exportações do Brasil, se destaca nesse cenário. Em janeiro de 2026, o país exportou cerca de 75 milhões de barris, o que demonstra a força do setor. Economistas afirmam que, como produtor e exportador de petróleo, o Brasil está relativamente protegido das consequências imediatas do conflito. A alta nos preços do barril pode resultar em um aumento na arrecadação do governo.
“O Brasil, ao contrário de muitos países, possui uma balança comercial superavitária em petróleo. O aumento do preço do petróleo não só traz mais dólares para o país, mas também melhora a imagem do Brasil no mercado global de commodities, especialmente no setor do petróleo”, destacou o economista André Perfeito.
Além disso, conforme a análise de Edmar de Almeida, professor do Instituto de Energia da PUC-Rio, a valorização do barril implica em uma elevação das receitas de exportação e, consequentemente, um incremento nos royalties e impostos vinculados à produção de petróleo.
No entanto, especialistas advertem que, se o conflito se prolongar, como previsto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e os preços do barril continuarem a subir, a economia brasileira poderá enfrentar dificuldades. “Embora o conflito esteja distante, seus efeitos podem refletir na inflação interna se a situação se arrastar por mais tempo. O aumento dos preços do petróleo impacta diversos setores, incluindo o agronegócio e a indústria automobilística, afetando diretamente os consumidores”, afirma André Braz, economista do FGV Ibre.
A Indústria Química e os Fertilizantes em Risco
Outro setor que pode ser prejudicado é o da indústria química, que utiliza a nafta, um derivado do petróleo, em sua produção de plásticos, resinas e tintas. O Brasil importa cerca de 60% da nafta que consome, e a elevação dos preços já está sendo sentida. “O mercado funciona com contratos diários, refletindo o preço vigente. Já estamos observando impactos nos custos e a dúvida agora é por quanto tempo eles vão persistir”, afirma André Passos Cordeiro, presidente da Associação Brasileira da Indústria Química.
Adicionalmente, a guerra afeta o fornecimento de fertilizantes, essenciais para a agricultura brasileira. A maior parte desses insumos é importada do Oriente Médio e, embora os agricultores já tenham garantido materiais para as safras de soja e milho, a expectativa é de que os custos aumentem nas futuras aquisições. A preocupação se intensifica também em relação à exportação de grãos para regiões afetadas por conflitos. Em 2025, o Irã foi um dos principais destinos do milho brasileiro, mas agora transportar os produtos é um desafio logístico que encarece o processo.
“O frete se torna mais caro não apenas pelo trajeto mais longo, mas também pelo risco elevado durante o transporte. Os armadores estão buscando se proteger, o que leva a um aumento nos preços dos seguros. Essa situação já está afetando os valores de mercado”, explica Hélio Guedes Sirimarco, vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura.
Portanto, a guerra no Oriente Médio traz não apenas desafios, mas também oportunidades para o Brasil, que precisa se adaptar às novas condições do mercado. O impacto no setor do petróleo, enquanto proporciona receitas, pode gerar efeitos em cadeia que afetam diretamente a vida dos brasileiros: inflação, aumento de custos e desafios logísticos são apenas algumas das consequências que podem ser sentidas no cotidiano da população.
