Desaceleração nos Preços em Belo Horizonte
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA-BH), calculado pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais (Ipead), apresentou uma leve queda em fevereiro, marcando uma redução de 0,07% após um aumento de 1,13% em janeiro. No acumulado do ano, o índice já registra uma alta de 1,05%, enquanto que, nos últimos 12 meses, a variação acumulada ficou em 3,35%.
A retração nos preços de produtos e serviços pessoais, que caiu 0,52% no mês, foi um dos fatores que contribuíram para a deflação na capital mineira. Essa queda foi puxada principalmente pelas despesas pessoais, que apresentaram uma diminuição de 0,94%. Outras categorias também mostraram resultados positivos, como os produtos administrados — que incluem transporte, comunicação, energia elétrica, combustíveis, água e IPTU — registrando uma deflação de 0,35% em fevereiro.
Alimentação e Habitação: Impactos no Índice
Por outro lado, o grupo de alimentos viu um aumento de 0,69% em fevereiro, sendo um dos principais fatores impulsionadores do índice. Esse crescimento ocorreu devido a altas nos subgrupos de alimentação fora da residência (0,71%) e na residência (0,68%). Quase todos os itens de ambos os subgrupos subiram de preço, com destaque para os alimentos industrializados (1,41%), alimentação em restaurante (1,24%) e alimentos em elaboração primária (0,90%).
No entanto, houve também quedas notáveis, como nos preços dos alimentos in natura e das bebidas em bares e restaurantes, que recuaram 2,95% e 3,98%, respectivamente, evitando que a inflação do grupo se elevasse ainda mais.
A habitação, por sua vez, apresentou um aumento de 0,83% e, devido ao seu peso no índice, foi o item de maior contribuição individual para o aumento do custo de vida na capital. Além disso, outros itens que registraram altas significativas foram vestuário e complementos (2%) e artigos de residência (1,55%), embora esses apresentem um peso menor no cálculo do índice quando comparados à habitação.
Impactos para as Famílias de Baixa Renda
O cenário não é muito diferente para as famílias de baixa renda, que recebem até cinco salários mínimos. O Índice de Preços ao Consumidor Restrito (IPCR-BH) também desacelerou, subindo apenas 0,26% em fevereiro, após um aumento de 0,48% em janeiro. Segundo o Ipead, a inflação acumulada em 2024 pelo IPCR-BH está em 0,75%, enquanto nos últimos 12 meses, o índice computa uma variação de 2,95%. Esses números refletem não apenas as dificuldades enfrentadas pelas famílias de menor renda, mas também a importância da monitorização contínua dos preços para entender o cenário econômico local.
