Arquivamento do Inquérito
O ministro Alexandre de Moraes, integrante do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o arquivamento do inquérito que investigava a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) por suposta obstrução de justiça. A investigação tinha como foco a fuga da parlamentar para o exterior, após sua condenação relacionada à invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A decisão foi fundamentada em um parecer emitido pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que concluiu não haver elementos suficientes para justificar a abertura de um processo penal contra Zambelli. Vale destacar que, no ano passado, a Polícia Federal (PF) também já havia se manifestado nesse sentido, afirmando que não houve obstrução efetiva.
“Considerando que o Ministério Público solicitou o arquivamento dentro do prazo legal, não cabe a ação privada subsidiária, ou de forma originária […] Portanto, acolho a manifestação da Procuradoria-Geral da República e defiro o arquivamento desta investigação”, afirmou Moraes. Embora a decisão tenha sido tomada em 13 de março, sua publicação ocorreu somente nesta quarta-feira, dia 18.
Contexto da Investigação
O inquérito foi instaurado em junho do ano passado, em um cenário em que Zambelli havia anunciado sua saída do Brasil, após ser condenada a dez anos de prisão por invasão aos sistemas do CNJ. Na ocasião, o ministro Moraes havia determinado que o Banco Central fornecesse informações sobre transferências realizadas via Pix para a ex-deputada.
Em suas declarações durante a abertura da investigação, Moraes destacou as diversas entrevistas concedidas por Zambelli em 3 de junho de 2025, sugerindo que sua fuga seria não apenas uma tentativa de evitar a aplicação da lei penal, mas também uma ação reiterada de desinformação que poderia socavar a credibilidade das instituições democráticas no Brasil e interferir no andamento de processos judiciais em curso no Supremo.
Análise da Polícia Federal
No entanto, em setembro do ano passado, a Polícia Federal afastou a hipótese de que a fuga de Zambelli tivesse resultado em ações concretas de obstrução de justiça. Em seu relatório, a PF afirmou que, apesar das declarações da parlamentar sobre suas intenções de impedir a aplicação da lei penal, não houve evidências que demonstrassem que suas ações extrapolaram o campo da retórica. “Não foram apresentadas provas de que ela tenha adotado expedientes ou providências que comprometeriam o regular andamento da ação penal”, relatou a instituição na época.
O arquivamento do inquérito representa um desdobramento importante no cenário político e judicial brasileiro, especialmente considerando as alegações que cercam a figura de Zambelli e suas ações. Com a decisão de Moraes, a ex-deputada pode respirar aliviada, pelo menos no que diz respeito a essa investigação específica, embora o contexto geral ainda possa trazer novos desdobramentos.
A situação de Carla Zambelli ilustra bem as complexidades do cenário político atual, onde questões judiciais e decisões do STF se entrelaçam frequentemente, gerando repercussões e debates na opinião pública. A análise das ações judiciais envolvendo políticos é crucial, pois influencia diretamente a confiança da população nas instituições e no sistema democrático.
