Iniciativa de Moda Circular em Belo Horizonte
A indústria da moda é um dos setores que mais impactam o meio ambiente, respondendo por aproximadamente 10% das emissões globais de gases de efeito estufa, de acordo com relatórios da Organização das Nações Unidas (ONU). Em resposta a esse desafio ambiental e com a proposta de gerar um impacto social positivo, o Instituto Por Elas, em parceria com a especialista em moda circular e ESG, Sâmara Merrighi, lançou em Belo Horizonte, no dia 16 de abril, uma trilha nacional de moda circular. Após o êxito da metodologia em Nova York, a organização escolheu Minas Gerais como ponto de partida para um roteiro que abrangerá os principais polos têxteis do Brasil, antes de seguir para a Europa.
A proposta lançada em solo mineiro adota um formato colaborativo, buscando transformar a teoria em prática. Durante o evento de lançamento, as participantes foram convidadas a trazer peças de roupas que não utilizavam, promovendo um encontro de trocas onde essas peças poderiam ganhar nova vida. Essa iniciativa não se resume apenas ao ato de desapegar, mas também visa fortalecer o conceito de valor compartilhado, demonstrando como o reaproveitamento pode ser a base para novos modelos de negócios, especialmente aqueles liderados por mulheres.
Rizzia Froes, advogada e fundadora do Instituto, ressaltou que a presença na capital mineira representa um passo estratégico para o empoderamento financeiro feminino no Brasil. Segundo ela, “nosso objetivo em Belo Horizonte, e futuramente em cidades como São Paulo, Goiânia e Salvador, é nacionalizar uma metodologia que já demonstrou sua eficácia. Não estamos apenas trocando roupas; estamos transformando aquilo que estava guardado nos armários em capital semente para capacitar centenas de mulheres”.
O projeto, que já conta com uma validação internacional, foi elaborado respeitando as especificidades culturais e econômicas de cada região do Brasil. Ao conectar a criatividade local ao mercado de impacto, a trilha objetiva estabelecer uma rede de sustentabilidade que interliga as diversas etapas da cadeia produtiva. A idealizadora do movimento enfatiza que a escalabilidade do impacto social é fundamental: “Queremos que cada cidade que visitamos deixe um legado de conhecimento e independência, evidenciando que a moda circular é uma estratégia viável para o empreendedorismo feminino”.
Em termos educativos, o Instituto Por Elas estabeleceu metas claras e progressivas para os próximos anos, projetando formar 30 mulheres até 2026, através de Trilhas de Capacitação Técnica que visam prepará-las para os desafios da nova economia. O plano de expansão é contínuo, com a expectativa de que o número de beneficiadas atinja 100 até 2027, fortalecendo assim a rede de apoio e geração de renda.
O início do cronograma em Belo Horizonte reafirma o compromisso do Instituto Por Elas em transformar resíduos têxteis em oportunidades de mercado. A trajetória nacional servirá como uma vitrine para o talento brasileiro, preparando o cenário para a fase internacional do projeto na Europa. Com essa iniciativa, a capital mineira se consolida como um polo de inovação em moda com propósito, unindo a tradição da costura local às exigências globais de sustentabilidade.
