Desafios na Integração Metropolitana
A Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), composta por 34 cidades, enfrenta um significativo desafio de integração, conforme ressaltam diversos prefeitos entrevistados pela Rádio Itatiaia. Durante a última semana, os líderes municipais de Santa Luzia, Ribeirão das Neves, Sabará, Betim, Nova Lima e Contagem expressaram preocupações sobre as dificuldades no avanço das pautas relacionadas ao transporte intermunicipal.
A Secretaria de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias de Minas Gerais (Seinfra-MG) reconheceu que a integração entre os municípios é, de fato, um “desafio histórico” para a metrópole, principalmente após a municipalização dos sistemas de transporte, que resultou em modelos de gestão e contratos fragmentados, com bilhetagens e regras próprias em cada município.
Reivindicações dos Prefeitos
Os prefeitos reivindicaram melhorias que vão desde o aumento do número de viagens até a redução do tempo de trajeto e do preço das tarifas. A falta de integração entre os municípios foi uma queixa comum. O prefeito de Ribeirão das Neves, Túlio Raposo (Progressistas), destacou que a expansão do metrô seria a solução ideal para a mobilidade urbana entre as 34 cidades da RMBH. Para ele, o transporte por ônibus se tornou “ineficiente” para atender a demanda da região.
Em Santa Luzia, o prefeito Paulo Bigodinho (Avante) reconheceu que houve avanços, mas deixou claro que é preciso um esforço maior por parte do governo estadual para promover a integração entre todas as cidades. Marília Campos (PT), prefeita de Contagem, também reforçou a necessidade de melhorias, especialmente no que diz respeito à integração tarifária.
As mesmas preocupações foram levantadas pelos prefeitos de Sabará, Sargento Rodolfo (Republicanos), de Nova Lima, João Marcelo (Cidadania), e de Betim, Heron Guimarães (União Brasil), demonstrando uma unidade na busca por soluções para a mobilidade na RMBH.
Plano de Mobilidade e Propostas de Integração
Em 2023, o governo de Minas, sob a liderança de Zema, lançou o Plano de Mobilidade da Região Metropolitana de Belo Horizonte (PlanMob-RMBH). Segundo a Seinfra, esse plano orienta a integração institucional, operacional e tarifária dos sistemas de transporte na região. Ao ser questionada sobre a eficácia das propostas, a secretaria afirmou estar em tratativas com os municípios para alinhar estratégias e estabelecer mecanismos de cooperação.
O governo também mencionou o Pacto pela Mobilidade, assinado entre o secretário Pedro Bruno, da Seinfra, e os prefeitos de Belo Horizonte, Nova Lima, Betim e Contagem. Esse acordo resultou na criação do Grupo Técnico de Integração (GT Integração), composto por equipes técnicas do estado e das prefeituras, com o intuito de facilitar a integração.
A Seinfra relatou a realização de 14 reuniões até dezembro deste ano, com novos encontros agendados para 2026, visando à continuidade do trabalho de estruturação e consolidação das propostas de mobilidade.
A Situação Atual e as Expectativas Futuras
Sobre o andamento do PlanMob, a Seinfra mencionou que as frentes do plano estão em diferentes estágios, dependendo da execução pelos municípios. No caso da integração tarifária, a colaboração requer “arranjos interfederativos e a compatibilização entre contratos e sistemas de bilhetagem”.
A política de tarifa integrada está sendo discutida no âmbito do GT Integração, com o objetivo de criar alternativas viáveis do ponto de vista técnico, operacional e institucional.
Além disso, a Seinfra informou que, em 2025, um projeto estruturado no modelo de Parceria Público-Privada (PPP) foi lançado para estudos de viabilidade relacionados à futura concessão administrativa para a implantação e operação de terminais e estações metropolitanas. Os resultados preliminares apontaram a viabilidade de integração e estações complementares em cidades como Contagem, Betim, São José da Lapa, Pedro Leopoldo, Nova Lima e Ribeirão das Neves.
Atualmente, o governo Zema destaca que existem 640 linhas ativas no Sistema Metropolitano, com ônibus que atendem todos os 34 municípios da Grande BH. No entanto, Juatuba é uma exceção, pois não possui linha própria, embora seja atendida por linhas que partem de cidades vizinhas.
Em dias úteis, são realizadas 10.835 viagens no período diurno, 5.960 aos sábados e 3.409 aos domingos, evidenciando a necessidade contínua de melhorias na mobilidade na Região Metropolitana de Belo Horizonte.
