Investimentos e Desafios da Petrobras em Minas Gerais
No último discurso em Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a relevância da Petrobras como motor do desenvolvimento econômico do Brasil. Ele enfatizou a necessidade de fortalecer a autossuficiência do país em petróleo, destacando a exploração da Margem Equatorial, uma nova fronteira que se estende do litoral do Amapá até o Rio Grande do Norte.
Entretanto, essa iniciativa não é isenta de controvérsias. Ambientalistas expressaram suas preocupações em relação aos riscos que a exploração pode trazer para a biodiversidade, especialmente nas regiões sensíveis, como a foz do Rio Amazonas. Para esses críticos, os potenciais impactos ambientais são alarmantes e devem ser considerados com seriedade.
Além de discutir questões locais, Lula abordou o cenário internacional, citando as tensões entre os Estados Unidos e o Irã, e os impactos que esses conflitos podem ter nas economias tanto brasileira quanto global. Ele fez questão de lembrar que o desenvolvimento da Petrobras deve ser visto em um contexto mais amplo, onde as dinâmicas geopolíticas influenciam diretamente a economia nacional.
O evento contou com a presença da presidente da Petrobras, Magda Chambriard, do senador Rodrigo Pacheco (PSD) e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, entre outros dignitários. O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), não esteve presente. Questionado sobre uma possível candidatura ao Palácio Tiradentes, Pacheco afirmou que a questão deve ser analisada ‘com responsabilidade’, mencionando a existência de outros nomes em consideração.
Ao longo do dia, Lula ainda visitou Sete Lagoas, na Região Central de Minas, antes de embarcar para Bogotá, na Colômbia, onde participará da reunião da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Esta é a segunda visita do presidente ao estado em 2026, sendo a primeira no final de fevereiro, durante as fortes chuvas que afetaram a Zona da Mata mineira.
Com relação aos investimentos da Petrobras, a estatal anunciou que os aportes na Refinaria Gabriel Passos (Regap) podem alcançar R$ 9 bilhões na próxima década, com a expectativa de geração de até 36 mil novos empregos. No plano de negócios atual, entre 2026 e 2030, estão previstos R$ 3,8 bilhões em investimentos, que devem resultar em aproximadamente 8 mil postos de trabalho.
Esses investimentos visam não apenas aumentar a produção de combustíveis, mas também implementar ações voltadas para a transição energética, como o desenvolvimento do combustível sustentável de aviação (SAF) e a expansão do Diesel R. O presidente Lula informou que a Regap está operando atualmente a apenas 60% de sua capacidade total e que a Petrobras já iniciou obras para elevar essa capacidade, que atualmente é de 166 mil barris por dia, podendo aumentar em até 25 mil barris até 2027, com estudos em andamento para expansão adicional.
A Regap é responsável por aproximadamente 9% da produção de derivados da Petrobras e mantém 16 mil fornecedores, com contratos que totalizam cerca de R$ 28 bilhões. Além disso, a empresa colocou em operação sua primeira usina fotovoltaica em uma refinaria, com um investimento de R$ 63 milhões, que pode atender cerca de 10 mil residências e reduzir em 8 mil toneladas a emissão de CO₂ anualmente.
A retomada dos investimentos na Petrobras ocorre após a unidade ter deixado o plano de desinvestimentos, aumentando o número de trabalhadores de aproximadamente 2 mil, durante 2020 e 2021, para cerca de 3,8 mil atualmente.
