Expectativa de Aportes da União Europeia
O governo brasileiro está otimista quanto à possibilidade de um grande anúncio no final de março. A expectativa é que investidores da União Europeia revelem aportes em cinco mineradoras que atuam no Brasil. Esse movimento está alinhado com o interesse da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em firmar um acordo que assegure o fornecimento de minerais essenciais para o continente europeu.
A diretora de negócios da Apex Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), Ana Paula Repezza, ressaltou que a atenção inicial dos europeus recai sobre mineradoras que extraem terras raras, níquel, lítio e manganês. Esses minerais são fundamentais para a fabricação de veículos elétricos, uma prioridade da UE na sua estratégia de descarbonização do setor de transporte.
O anúncio oficial, previsto para o dia 24 de março, ocorrerá durante um fórum promovido pela Apex, que discutirá investimentos entre o Brasil e a União Europeia. Repezza, por motivos estratégicos, não revelou os nomes das mineradoras que estão na mira dos investidores.
Mineradoras em Foco
De acordo com fontes da Folha, uma das companhias mencionadas é a Viridis, que tem ações negociadas na Bolsa de Sydney e um fundo brasileiro como seu principal acionista. A mineradora planeja iniciar a extração de elementos de terras raras no sul de Minas Gerais em 2028 e mantém um diálogo constante com investidores europeus; o banco de exportação do governo francês, por exemplo, é responsável por metade da dívida da Viridis para avançar com seu projeto.
Outras empresas que podem receber investimentos incluem a Brazilian Nickel, que planeja suas operações no Piauí, e a AMG Lithium, que já está ativa na extração de lítio em Minas Gerais. Ambas participaram recentemente de eventos organizados pela Apex para o público europeu. A AMG Lithium, por sua vez, já possui uma planta de processamento de lítio na Alemanha e, em dezembro do ano passado, recebeu 36 milhões de euros de um fundo governamental alemão para expandir suas atividades naquele país.
Beneficiamento e Sustentabilidade
Repezza destacou que a União Europeia demonstrou interesse em realizar o beneficiamento e refino desses minerais no Brasil, um ponto defendido também pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Embora não haja barreiras legais para isso, segundo ela, as exigências são impulsionadas pelo próprio mercado. “A UE tem motivos sólidos para apoiar o beneficiamento de minerais críticos no Brasil. O processo de extração e processamento mineral é intensivo em energia, e o Brasil dispõe da matriz elétrica mais limpa do mundo, resultando em uma menor pegada de carbono”, afirmou.
As negociações entre o Brasil e a União Europeia diferem da abordagem adotada pelo governo dos Estados Unidos em relação a minerais críticos. Enquanto os EUA tendem a negociar contratos que garantem acesso prioritário a esses recursos, as autoridades europeias atuam de forma mais coordenada e menos interventiva. Para Repezza, o papel do Brasil nessas conversações é direcionar investimentos para projetos considerados estratégicos. “Estamos levando em conta não apenas a fase do projeto, mas também o desenvolvimento regional”, completou.
Integração e Expectativas Futuras
O governo brasileiro visa garantir que as negociações sejam conduzidas com supervisão adequada. “Estamos promovendo um processo acelerado de investimento com a UE, respeitando as políticas públicas que favorecem a industrialização e adensamento da cadeia produtiva no Brasil”, enfatizou Repezza.
Os ministérios de Minas e Energia, Ciência, Tecnologia e Inovação, Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), estão envolvidos nessas discussões. A situação poderá ser favorecida pelo acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, que promete reduzir tarifas de importação para alguns minerais críticos, sejam eles brutos ou processados. Este tratado foi assinado no último sábado (17) e, na quarta-feira (21), o Parlamento Europeu aprovou sua revisão jurídica.
Ursula von der Leyen, durante o discurso de celebração do acordo comercial, destacou o crescente interesse da UE pelos minerais brasileiros. “Europa e Brasil estão progredindo em um acordo político muito importante sobre minerais críticos, que definirá os termos da nossa cooperação em investimentos conjuntos em lítio, níquel e terras raras. Isso é crucial para nossas transições energética e digital”, concluiu.
A estratégia europeia, por sua vez, é impulsionada pela iniciativa ReSourceEU, que tem como meta reduzir a dependência da Europa por minerais críticos em até 50% até 2029. Para atingir esse objetivo, a União Europeia está se preparando para investir 3 bilhões de euros até o final do ano. Documentos de apresentação do plano indicam que um acordo com o Brasil é visto como uma ferramenta fundamental para alcançar essa meta.
