Decisão Judicial Afeta Liderança do Rede Sustentabilidade
Uma recente decisão da Justiça do Rio de Janeiro resultou na anulação de congressos do partido Rede Sustentabilidade, realizados em 2025, que definiram as lideranças da legenda. A determinação, oriunda da 29ª Vara Cível da capital fluminense, invalida todas as deliberações feitas nas reuniões municipais, estaduais e nacionais, incluindo a escolha do mineiro Paulo Lamac para a presidência nacional da sigla.
A decisão foi proferida pelo juiz Marcos Antônio Ribeiro de Moura Brito, após uma ação proposta por Natália de Souza Monteiro, filiada ao partido e integrante de uma ala próxima à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Monteiro alegou que houve falhas significativas de transparência e indícios de irregularidades nas assinaturas durante os processos eleitorais internos do Rede Sustentabilidade.
Essa medida acentua uma divisão interna no partido entre os aliados de Marina Silva e os apoiadores da deputada federal Heloísa Helena, cujo grupo foi o vitorioso nos pleitos eleitorais da legenda. A sentença aponta irregularidades na convocação da Conferência Municipal do Rio de Janeiro, que, segundo o juiz, foi comunicada apenas seis dias antes do evento e divulgada exclusivamente por meio de stories no Instagram, uma plataforma que limita a visualização do conteúdo a apenas 24 horas.
De acordo com a análise da Justiça fluminense, essa forma de divulgação não atende aos critérios mínimos de publicidade exigidos para eventos dessa natureza. Monteiro, na denúncia, ressaltou que as eleições internas do Rede seguem um modelo piramidal, onde os filiados dos congressos municipais elegem delegados para a conferência estadual, que, por sua vez, escolhe os representantes do congresso nacional. Problemas na primeira fase das convenções podem comprometer todo o processo eleitoral subsequente.
A denunciante também criticou a atuação da comissão eleitoral do partido, apontando falhas na supervisão das etapas preparatórias para as votações. Ela afirma que não foram solicitados documentos de identificação, possibilitando que pessoas não filiadas se apresentassem como filiados ou que membros assinassem em nome de outros. Vale ressaltar que a decisão da Justiça fluminense ainda não é definitiva e pode ser contestada.
Em contato com a reportagem, Lamac declarou que a direção nacional do partido ainda não recebeu notificação sobre a decisão e que, em respeito aos filiados e simpatizantes, o Rede tomará todas as medidas necessárias para recorrer de qualquer decisão que comprometa a estabilidade e continuidade das atividades da legenda.
O porta-voz nacional do partido expressou confiança na integridade dos processos internos e frisou que há múltiplos interesses tentando desestabilizar o Rede no atual cenário de polarização política. “Como essa decisão ainda é de primeira instância e existe o efeito suspensivo, que impede a aplicação da decisão até o julgamento dos recursos, tranquilizamos a todos, afirmando que a direção da REDE permanece estável e ativa, mantendo seu planejamento eleitoral”, argumentou Lamac.
Lamac, que assumiu o comando nacional do Rede Sustentabilidade em junho do ano passado após experiências na Assembleia Legislativa de Minas Gerais e na Prefeitura de Belo Horizonte, tem trabalhado nas últimas semanas para assegurar a filiação do deputado federal André Janones (Avante). A legenda estuda lançar Janones como candidato ao Governo de Minas.
No âmbito eleitoral, o Rede Sustentabilidade está federado com o PSOL, o que pode influenciar suas estratégias para as próximas eleições.
