Uma Nova Estrela no Cinema Brasileiro
O filme “Se eu fosse vivo… Vivia”, dirigido por André Novais Oliveira, está em destaque na 76ª edição do Festival de Cinema de Berlim, que acontecerá entre 12 e 22 de fevereiro. A produção marca a estreia de Conceição Evaristo como atriz, onde ela divide a cena com Norberto Oliveira, pai do cineasta. A preparação de Evaristo para o papel da personagem Jacira foi conduzida por Kelly Crifer, uma talentosa atriz, diretora e dramaturga que possui um legado artístico significativo.
A história de como Kelly se tornou preparadora de elenco para o filme é interessante. Em uma festa de aniversário da produtora Filmes de Plástico, André Novais a convidou para ajudar na preparação do seu pai para o papel de Gilberto. Na semana seguinte, a assistente de direção, Marianne Macedo, abordou Kelly para informá-la que Jacira seria vivida por Conceição Evaristo e que ela também ficaria encarregada de sua preparação. “Foi um mix de emoção e apreensão”, lembra Kelly, admiradora da obra da escritora mineira.
Uma Experiência Transformadora
Kelly recorda com carinho o momento em que Evaristo entrou na sala de ensaio. “A sensação foi imensa. Senti um misto de apreensão e felicidade. Ao deixar minha casa para os ensaios, voltei preenchida por uma experiência incrível”, relata. O processo de preparação durou cerca de 40 dias e envolveu não apenas questões técnicas, como a postura diante das câmeras, mas também um aprofundamento nos elementos que formam a identidade da personagem Jacira.
“Trabalhar com Conceição foi como girar a roda da escritora até criar a personagem”, explica Kelly. Durante ensaios no espaço do grupo Maria Cutia, as duas compartilharam suas histórias de vida, o que permitiu uma conexão profundamente humana e significativa. Kelly, que cresceu no Vale do Jequitinhonha, trouxe suas vivências para o processo de construção da personagem.
Desconstruindo para Construir
“No momento da atuação, é fundamental estar vulnerável para sentir as emoções e as circunstâncias”, destaca Kelly. Isso envolveu uma desconstrução da própria Conceição, considerando desde a forma como ela se arruma até as roupas que veste. O objetivo era transformar a autora na personagem Jacira, que possui uma forte ligação com a narrativa do filme.
Embora sua formação em teatro tenha começado de forma amadora, com apresentações em igrejas e escolas, Kelly já havia deixado sua marca no cinema. Seu primeiro trabalho foi no curta “Contagem” (2009), que ganhou visibilidade internacional e ajudou a solidificar a produtora Filmes de Plástico.
Uma Carreira em Ascensão
Kelly já participou de diversas produções, como “No coração do mundo” (2019) e “O dia que te conheci” (2023), ambas dirigidas por André Novais. Sua trajetória é marcada por um forte compromisso com o teatro e uma contínua busca por novos desafios artísticos. Recentemente, ela também esteve envolvida em outras produções cinematográficas que ainda estão por estrear, incluindo “Disciplina”, de Affonso Uchoa, que retrata a crise educacional no Brasil.
Seu trabalho abrange ainda produções como “A última sílaba tônica”, que aborda as realidades de meninas em situações de privação de liberdade, e “Posse”, de Ítalo Almeida, que discute temas relacionados à estrutura racista na sociedade.
O Legado de Kelly Crifer
Com uma trajetória rica em experiências e sua formação nas raízes culturais do interior de Minas Gerais, Kelly Crifer continua a engrandecer o cenário cultural brasileiro. A conexão entre sua história pessoal e sua arte é um dos elementos que tornam sua atuação tão poderosa. “Toda a minha bagagem vem da minha infância e dos relatos de minha família”, afirma Kelly, ressaltando a importância da tradição e das histórias que moldam a arte.
A vida e a carreira de Kelly Crifer são um testemunho do poder da colaboração e da criatividade, especialmente em um momento em que figuras como Conceição Evaristo ganham novos espaços na indústria cinematográfica.
