Leonardo Lessa Assume Presidência da Funarte e Promete Continuidade nas Políticas Culturais
A Fundação Nacional de Artes (Funarte), uma entidade vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), tem um novo presidente: o gestor cultural e artista de teatro, Leonardo Lessa. Ele vinha ocupando interinamente o cargo desde a saída da ex-presidenta Maria Marighella, em 3 de abril, e sua nomeação foi oficializada no Diário Oficial da União no último dia 16 de abril.
Antes de sua nomeação, em 2023, Lessa exerceu a função de diretor-executivo da Funarte, fazendo parte da Diretoria Colegiada que tem sido crucial na reestruturação da Fundação nos últimos anos. Sua carreira na Funarte também inclui a direção de Artes Cênicas entre 2015 e 2016.
A escolha de Lessa para o cargo acontece em um momento decisivo para as políticas culturais no país, coincidente com a implementação da Política Nacional das Artes (PNA), estabelecida pelo Decreto nº 12.916 em 31 de março de 2026. Esse decreto representa um avanço significativo ao reconhecer as artes como um direito fundamental da cidadania e busca organizar de maneira estruturada as ações públicas no setor cultural.
Ao assumir a presidência, Leonardo Lessa expressou sua gratidão e disposição para continuar o trabalho: “Recebo esta missão da ministra Margareth Menezes com muita honra e agradeço pela confiança no trabalho coletivo que temos realizado nos últimos três anos. Ao assumir a presidência da Funarte, reafirmo meu compromisso com a continuidade da gestão de Maria Marighella, que foi responsável por avanços significativos, criando condições institucionais que permitem à Funarte coordenar a implementação da Política Nacional das Artes de forma eficaz”.
O novo presidente também enfatizou a importância de fortalecer programas de fomento em colaboração com diferentes entidades. “A Fundação Nacional de Artes se manterá firme em seu papel como uma instituição estratégica do Estado brasileiro, dedicada à criação e execução de programas que incentivem as artes em um diálogo constante com os entes federativos e com ampla participação social. Continuaremos a trabalhar para que nossas conquistas se traduzam em oportunidades concretas para artistas e toda a sociedade brasileira”, afirmou Lessa.
Um dos primeiros atos de Lessa em sua nova função foi reunir a Diretoria Colegiada da Funarte, que inclui diretores e diretoras dos Centros de Artes Visuais, Circo, Dança, Música e Teatro – Sandra Benites, Marcos Teixeira, Rui Moreira, Eulícia Esteves e Aline Vila Real, na ordem – além do diretor de Memória, Pesquisa e Produção de Conteúdos, Glauber Coradesqui, e do diretor-executivo interino, Marcos Teixeira.
Continuidade de um Ciclo de Reconstrução Institucional
A transição de liderança ocorre após um período de significativa atuação da ex-presidenta Maria Marighella, a primeira mulher nordestina a liderar a Funarte. Sua gestão foi marcada pela revitalização de políticas públicas essenciais, pela reintrodução da participação social e pela articulação das iniciativas da Fundação no âmbito do Sistema Nacional de Cultura.
Dentre as principais realizações desse período, destacam-se a criação e a execução de programas estratégicos que abrangem várias dimensões da rede produtiva nas artes, como o Programa Funarte de Apoio a Ações Continuadas, o Programa Funarte de Difusão Nacional, o Programa Funarte Brasil Conexões Internacionais, o Programa Funarte Aberta, o Programa Funarte Memória das Artes, o Programa Funarte de Reflexão e Pesquisa, e o Programa Funarte de Acesso às Artes.
Desde 2023, a Funarte investiu mais de R$ 200 milhões em mais de 1.200 projetos artísticos em todo o Brasil, ampliando o acesso às artes e fortalecendo a atuação de artistas, grupos e coletivos nas diversas regiões do país.
Essas ações foram conduzidas de forma integrada pela Diretoria Colegiada, consolidando uma gestão que prioriza o trabalho coletivo, o diálogo com os setores artísticos e a construção de políticas públicas de caráter estruturante.
Sobre Leonardo Lessa
Formado em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Leonardo Lessa tem uma carreira consolidada na gestão cultural e nas artes cênicas. Ele atuou como correlator no Grupo de Trabalho de Cultura do Gabinete de Transição do Governo Federal, participou da elaboração do Marco Regulatório do Fomento à Cultura (Lei nº 14.903/2024) e exerceu a função de assessor parlamentar para Políticas Culturais. Além disso, Lessa esteve envolvido em iniciativas de gestão compartilhada, como a Gabinetona, em Belo Horizonte (MG), e contribuiu para a formulação da Política Municipal Cultura Viva (Lei 11.561/2023).
Entre 2008 e 2014, ele foi coordenador geral do Galpão Cine Horto, um centro cultural do Grupo Galpão, e é fundador do Grupo Teatro Invertido. Também fez parte do Colegiado Setorial de Teatro do Conselho Nacional de Política Cultural do Ministério da Cultura.
