Estratégias do PT para Fortalecer Candidaturas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva percebeu um declínio em sua avaliação no Sudeste e agora busca viabilizar palanques eleitorais nos estados mais populosos do Brasil. São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, que representam os maiores colégios eleitorais do país, estão no foco das estratégias do Partido dos Trabalhadores (PT). O Espírito Santo, embora parte da região, se destaca por ter um eleitorado menos robusto.
Historicamente, perder por uma margem curta em um estado grande pode ser mais significativo do que vencer em locais de menor expressão eleitoral. Um exemplo claro disso é a vantagem que Lula obteve na capital paulista em 2022, que, apesar de não ter vencido no estado, foi crucial para sua vitória nacional sobre Jair Bolsonaro (PL).
Com a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes à vista, o PT considera fundamental lançar um candidato com forte apelo popular. O nome que desponta nesse cenário é o do atual ministro da Fazenda, Fernando Haddad, incentivado pelo próprio Lula. Recentemente, os dois se reuniram para um almoço que durou cerca de três horas, onde discutiram estratégias para a campanha.
Haddad, que já enfrentou desafios eleitorais como a perda da reeleição em 2016 e derrotas em 2018 e 2022, hesita em se lançar novamente em uma eleição complicadíssima. No entanto, os líderes do PT tentam convencê-lo com promessas de um futuro político que o colocariam como sucessor de Lula em 2030.
Além de Haddad, outros nomes de peso estão sendo considerados, embora não sejam do PT. O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), que dirige o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, é mencionado, mas seu partido prefere manter a chapa com Lula. Outras opções incluem Simone Tebet, do Planejamento, e Márcio França (PSB), ambos com interesses eleitorais que poderiam favorecer o partido.
O presidente do PT-SP, Kiko Celeguim, afirma: “São Paulo terá o palanque mais forte possível para garantir a vitória de Lula. Para isso, contamos com nosso time de ministros.”
Incertezas em Minas Gerais
Minas Gerais, tradicional “termômetro” das eleições nacionais, apresenta um cenário mais incerto. Nos últimos tempos, a candidatura do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), vinha sendo defendida por Lula, mas essa ideia perdeu força recentemente.
Com a falta de candidatos do PT com reconhecimento no estado, alguns setores já buscam alternativas. A prefeita de Contagem, Marília Campos, que pode ser uma candidata ao Senado, se mostra favorável a uma reaproximação entre Lula e Alexandre Kalil, ex-prefeito de Belo Horizonte e atualmente no PDT. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, também está se mobilizando e foi à capital mineira para dialogar com Kalil.
“Kalil é um excelente nome. Ele tem proximidade com nossas pautas e já apoiou Lula em 2022”, comenta Marília, que pode ser chamada a concorrer ao Palácio Tiradentes se as opções em outros partidos não avançarem.
Kalil, por sua vez, mantém uma postura cautelosa, rechaçando a ideia de uma nacionalização da campanha, mas se mostra aberto ao diálogo com Lula. “Não sou inimigo do presidente da República e, se convidado, estarei disposto a conversar”, afirma.
O Cenário no Rio de Janeiro
No Rio, a aliança entre Lula e o prefeito Eduardo Paes é quase certa, mas a relação entre ambos esfriou ao longo de 2025, principalmente após Paes fazer gestos à direita, que desagradaram o presidente. Em uma visita a Brasília, Paes e Lula se reuniram novamente, buscando restabelecer um diálogo positivo.
A executiva estadual do PT, sob a liderança de Diego Zeidan, reforçou a parceria com Paes, embora haja preocupações sobre a possibilidade de traição por parte do prefeito, especialmente considerando a desaprovação crescente a Lula no estado. Em um cenário adverso, Paes poderia não se engajar suficientemente na campanha presidencial.
O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, expressou que o partido deseja caminhar junto a Paes. Ele acrescenta que a eleição indireta prevista para abril pode ser outra peça importante no tabuleiro político, com a possibilidade de lançar o ex-presidente da Assembleia Legislativa, André Ceciliano, como candidato para a votação. Essa jogada pode evitar que o PL, partido de Cláudio Castro, que deverá deixar o cargo para concorrer ao Senado, mantenha influência no governo provisório.
“Queremos construir um palanque forte para Lula no Rio. A chapa Paes governador e Benedita senadora nos dá força e cria uma identidade para o eleitorado lulista”, finaliza Lindbergh, reforçando a importância da candidatura de Ceciliano para impedir que o PL tenha destaque na administração enquanto ocorrem as eleições.
