Gastronomia Mineira em Alta
Minas Gerais conquistou seu lugar entre os melhores destinos gastronômicos do mundo, segundo a renomada revista Condé Nast Traveler. A publicação, que é uma referência no turismo e na gastronomia, destacou as ricas tradições mineiras, como a produção artesanal de queijos, os vinhedos cuidadosamente cultivados e a revitalização dos mercados históricos que permeiam a cultura local.
Com uma área de 586.522 km², Minas é um verdadeiro celeiro de sabores, onde a culinária é expressa por meio de pratos caseiros que valorizam ingredientes regionais. O queijo e o café são protagonistas na mesa dos mineiros e também nas rotas gastronômicas que se espalham pela capital, Belo Horizonte. A revista ressalta que essas tradições, quando chegam à cidade, atraem cada vez mais um público diversificado que busca experiências gastronômicas autênticas.
O Queijo Mineiro como Patrimônio Cultural
Outro ponto alto do reconhecimento foi o título conferido pela UNESCO, que em dezembro de 2024, declarou a produção artesanal de queijo mineiro como o primeiro Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade no Brasil. Este reconhecimento valoriza 106 municípios onde o queijo é produzido há mais de 300 anos, feito exclusivamente com leite cru, coalho natural e um fermento único chamado pingo, que é característico de cada fazenda.
Serro e a Rota do Queijo Artesanal
A cidade de Serro, situada a cerca de 300 km da capital, foi apontada como um dos destaques da matéria. A Condé Nast Traveler elogia o queijo da região, que é descrito como tendo um sabor “suave e levemente ácido”. O município integra uma rota turística oficial, que reúne cerca de 800 pequenos produtores e fazendas familiares. Os visitantes têm a oportunidade de se aprofundar na arte de produção do queijo, que remonta a mais de três séculos, explorando a rica herança gastronômica do estado que se estende pela Cordilheira do Espinhaço.
Um dos relatos da reportagem menciona uma visita à Fazenda Ventura, em Santo Antônio do Itambé, a aproximadamente 200 km de Belo Horizonte. O local é descrito como “cercado por rebanhos e colinas”, onde a família que administra a fazenda guia os visitantes desde o estábulo até o laticínio, oferecendo uma experiência única com seus queijos premiados. Outro destaque é a Fazenda Córrego do Taboão, situada em Espera Feliz, onde os visitantes podem conhecer o museu e o lagar da propriedade, terminando a visita com a degustação de queijos e doces mineiros.
Tiradentes e o Enoturismo
O cenário de Tiradentes, uma vila fundada no século XVIII e famosa por sediar o festival gastronômico mais antigo do país, também foi mencionado. A cidade vive um novo momento, impulsionado pelo enoturismo. A reportagem aponta vinícolas como a de Luiz Porto e a Vinícola Trindade, que recentemente abriram suas portas para os visitantes. Nesses espaços, é possível degustar vinhos varietais, como Sauvignon Blanc e Syrah, enquanto se admira a beleza da Serra de São José.
A Vinícola Mil Vidas, localizada a apenas 50 minutos de Tiradentes, também é destaque. O local oferece uma visita guiada aos vinhedos, explicando os métodos de cultivo e a técnica da dupla poda, que resulta na colheita durante o inverno brasileiro. Após o passeio, os visitantes têm a chance de harmonizar vinhos com queijos premiados, uma verdadeira experiência sensorial.
Festival de Tiradentes e Culinária Contemporânea
O Festival Cultural e Gastronômico de Tiradentes, que teve sua primeira edição em 1998, foi elogiado pela revista como um símbolo da evolução da gastronomia local. O que antes era um pequeno evento em uma cidade com poucos restaurantes hoje se transformou em uma celebração que inclui dezenas de estabelecimentos ao longo das ruas históricas. Entre os destaques estão o Tragaluz, que funciona em uma mansão colonial de 300 anos, e o contemporâneo Angatu, do chef Rodolfo Mayer, que traz uma nova abordagem aos ingredientes locais.
Belo Horizonte e a Nova Cena Gastronômica
A capital mineira, Belo Horizonte, também foi mencionada por sua cena gastronômica vibrante e em constante crescimento. Chefs estão abrindo desde sofisticados restaurantes até reinterpretações modernas dos tradicionais botecos da cidade. A revista destaca Leo Paixão, do restaurante Glouton, como uma referência na alta gastronomia da região. Outros nomes da nova geração incluem Caio Soter, do Pacato, e Bruna Martins, do Gata Gorda, que também têm contribuído para a diversificação do setor.
A Condé Nast Traveler ressalta que, apesar das inovações, os estabelecimentos que ajudaram a solidificar a culinária mineira seguem sendo fundamentais, como o Xapuri, na Região da Pampulha, e o icônico Mercado Central.
Viradão Gastronômico em Belo Horizonte
Por fim, a revista menciona o Viradão Gastronômico, evento que teve sua primeira edição em 2025 e retorna em agosto de 2026. O evento reunirá mais de 30 restaurantes, cafés e lanchonetes no centro da cidade, oferecendo pratos populares a preços acessíveis, em torno de R$ 20. Para a Condé Nast Traveler, em Belo Horizonte, a questão não é apenas onde comer, mas por onde começar essa deliciosa jornada.
