Iniciativa para Monitoramento da Qualidade do Ar em Belo Horizonte
A partir do segundo semestre deste ano, os moradores de Belo Horizonte poderão consultar a qualidade do ar em tempo real, graças à nova ferramenta da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (SMMA). A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) está implementando, por meio do programa ProAr, cinco estações de monitoramento da qualidade do ar, localizadas nas regionais Barreiro, Norte, Nordeste, Noroeste e Hipercentro.
Essas estações são equipadas com sensores hiperlocais, que têm a capacidade de detectar variações na poluição entre diferentes bairros e áreas da cidade. Com atualizações a cada 15 minutos, os dispositivos gerarão indicadores consolidados, incluindo o Índice de Qualidade do Ar (IQAr). Segundo o subsecretário de Licenciamento e Controle Ambiental da SMMA, Pedro Franzoni, “essa granularidade permite entender a dinâmica local da poluição, algo que as redes tradicionais não conseguem captar sozinhas”.
Dados que Guiam Políticas Públicas
Os dados coletados pelas estações serão integrados continuamente aos sistemas internos da Prefeitura e auxiliarão na formulação de políticas públicas mais eficazes. “Com essas informações, a PBH poderá definir estratégias de adaptação e mitigação da poluição atmosférica, alinhadas às normas de qualidade do ar e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU”, afirma Franzoni.
Além disso, as informações estarão disponíveis no Portal de Dados Abertos da PBH, permitindo que pesquisadores, gestores públicos e legisladores acessem os dados. Fernando Santana, diretor de Monitoramento e Controle Ambiental da SMMA, enfatiza que a abertura dos dados amplia o uso social da informação ambiental. “O histórico das medições permitirá análises técnicas mais consistentes e a emissão de alertas à população em episódios críticos de qualidade do ar”, explica.
Integração com a Saúde Pública
A integração dos dados ambientais com a área da saúde é um dos principais focos do programa. “Com o acesso a informações em tempo real, será possível prever cenários de agravamento em doenças respiratórias e tomar medidas preventivas, especialmente para grupos mais vulneráveis”, ressalta Santana.
A rede de monitoramento faz parte do Programa ProAr, desenvolvido pela SMMA em parceria com o Iclei América do Sul (Governos Locais pela Sustentabilidade) e a empresa Aurassure Brasil. O modelo utiliza sensores menores e mais acessíveis, distribuídos pela cidade. “Não estamos substituindo as estações de referência estaduais, mas sim complementando o monitoramento e aumentando a capacidade analítica do município”, destaca Franzoni.
Benefícios das Novas Estações
A SMMA afirma que o formato compacto dos equipamentos oferece diversas vantagens. Eles possuem menor impacto visual, são mais fáceis de instalar e realocar, além de reduzirem os custos de infraestrutura e manutenção. “É uma solução mais flexível para o monitoramento contínuo da poluição atmosférica em uma cidade tão complexa quanto Belo Horizonte”, conclui Santana.
Atualmente, as estações estão em funcionamento nas regionais Barreiro (Bairro Milionários), Norte (Vila Satélite), Nordeste (São Paulo), Noroeste (Califórnia) e no Hipercentro. A partir do segundo semestre de 2026, a PBH promete disponibilizar esses dados de forma contínua à população, por meio de uma plataforma online. “A transparência dos dados ambientais é crucial para qualificar o debate público e guiar as escolhas individuais e coletivas”, afirma Menna Barreto, ressaltando a importância da participação da comunidade nesse processo.
