Transferência da Subsecretaria de Esportes para a Secult
A proposta de transferir a Subsecretaria de Esportes para a Secretaria de Estado de Cultura e Turismo (Secult) recebeu um respaldo unânime durante a audiência da Comissão de Esporte, Lazer e Juventude, realizada na quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026. A mudança está contemplada na Lei 25.751, que autoriza o Poder Executivo a realocar a subsecretaria, atualmente ligada à Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese).
O deputado Coronel Henrique (PL), presidente da comissão e autor do Projeto de Lei (PL) 1.844/20, solicitou a realização da reunião na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Em diálogo com o vice-governador Mateus Simões, Henrique foi informado de que a transferência poderia ser concretizada em aproximadamente 40 dias.
Possíveis impactos da nova vinculação
O parlamentar destacou que essa mudança pode ter um impacto significativo, promovendo uma sinergia ainda maior entre áreas que já possuem afinidade, como esporte, lazer, turismo e cultura. Henrique citou o exemplo de eventos esportivos que se inserem no setor cultural e movimentam a economia local. “A Copa do Mundo de Mountain Bike em Araxá foi trazida graças ao então secretário de Cultura e Turismo”, ressaltou.
“O esporte não deve ser visto como uma pauta ideológica, mas sim como um motor para a cadeia produtiva. Mais do que uma ação social, ele tem um papel fundamental nas comunidades”, afirmou o deputado. Para ele, na estrutura atual, a Subsecretaria de Esportes acaba sendo deixada em segundo plano, considerando que a Sedese abriga sete subsecretarias sob sua responsabilidade.
Perspectivas de integração e otimização
A secretária de Estado de Cultura e Turismo, Bárbara Barros Botega, expressou otimismo sobre a absorção da Subsecretaria pela Secult. Segundo ela, a integração permitirá um trabalho mais sério e colaborativo entre todas as secretarias. “O esporte se conecta com áreas como educação, saúde, economia e o social”, observou, ressaltando a importância de manter a visão inclusiva que a Sedese atualmente promove.
Bárbara também enfatizou a otimização que a Secult já realiza, citando o sucesso do programa Descentra Cultura, que promove renúncia fiscal na área cultural. Ela acredita que a entrada do esporte permitirá uma melhoria nos recursos disponíveis para eventos esportivos, o que será essencial para o desenvolvimento dessa área.
Mudança facilitará diálogo com municípios
Rafael Diniz, diretor da Associação Natividade, uma organização que apoia projetos esportivos e culturais, acredita que a nova vinculação trará benefícios diretos aos municípios mineiros, especialmente aqueles com menos de 20 mil habitantes, onde as secretarias tendem a ser multitemáticas. “Essa mudança deve facilitar a comunicação com os municípios”, afirmou.
Ele sugeriu que, após a absorção da Subsecretaria, a Secult inclua informações sobre a organização do esporte nas cidades no ICMS Esportivo. Diniz ressaltou que Minas Gerais é o único estado que devolve recursos aos municípios que investem em esporte, com uma previsão de cerca de R$ 40 milhões por ano e um aumento para aproximadamente R$ 95 milhões em 2026.
Apoio generalizado à nova estrutura
A mudança na vinculação da Subsecretaria de Esportes à Secult foi amplamente apoiada por dirigentes de diversas entidades esportivas. Ricardo Trigo, 2ª vice-presidente do Conselho Regional de Educação Física em Minas Gerais, destacou que, embora o ideal fosse ter uma secretaria exclusiva para o esporte, a nova estrutura é um passo positivo. Marcolino Pinto Júnior, presidente da Federação dos Clubes de Minas Gerais (Fecemg), e outros líderes esportivos também manifestaram apoio à mudança.
André Baeta, vice-presidente do Minas Tênis Clube, mencionou que, independentemente da pasta em que o esporte estiver alocado, ele sempre será bem representado. Thiago Azevedo, coordenador da Federação Mineira de Vôlei, colocou-se à disposição da nova secretária para fortalecer essa integração. Vários outros representantes do setor também apoiaram a proposta, elogiando a junção entre esporte, cultura e turismo.
O deputado Roberto Andrade (PRD) parabenizou Coronel Henrique pela iniciativa, destacando que a união entre essas áreas é extremamente vantajosa e se comprometeu a trabalhar junto ao governo para que a mudança aconteça rapidamente.
Lina Campolina, presidente da Associação Mineira do Paradesporto, solicitou que o reconhecimento das modalidades paralímpicas seja mantido na nova estrutura, enfatizando a importância do Bolsa Atleta e da Lei de Incentivo ao Esporte. “Precisamos garantir que os Jogos do Interior de Minas Paradesporto sejam mantidos e que o Estado continue a apoiar essas iniciativas”, concluiu.
