O Desafio de Governar Minas Gerais
No último domingo (5/4), Mateus Simões (PSD) completou duas semanas à frente do governo de Minas Gerais, substituindo Romeu Zema (Novo). Zema renunciou ao cargo para se concentrar na corrida presidencial. Com apenas um dia de governo, Simões concedeu uma entrevista exclusiva ao O TEMPO, onde compartilhou suas opiniões sobre a gestão anterior, a relação com servidores públicos e suas perspectivas para a próxima eleição.
Estilo Diferente de Governar
Uma das declarações mais marcantes de Simões foi sobre seu estilo de liderança. Ele afirmou: “Sou mais duro do que Zema”. O governador acredita que, apesar de compartilharem algumas pautas, seus estilos são distintos. “Enquanto Zema adota uma abordagem mais amena, eu vejo o modelo de governo como um espaço para maior dinamismo. Isso não significa que um estilo seja melhor que o outro, mas sim que existem maneiras diferentes de lidar com os desafios”, explicou.
Compromisso com os Servidores Estaduais
Simões defende que sua gestão já trouxe melhorias significativas para os servidores públicos, que durante muito tempo enfrentaram dificuldades financeiras. “No início do meu governo, muitos servidores estavam com seus salários parcelados e não recebiam reajuste há cinco anos. Nossa gestão regularizou os pagamentos e já concedeu quatro reajustes. É um compromisso que muitos governos anteriores não honraram”, destacou.
Educação e Relação com o Judiciário
Outro ponto elevado por Simões foi a implementação das escolas cívico-militares, um projeto que ele pretende expandir. Ele planeja abrir mais 30 escolas do modelo Tiradentes, afirmando: “A lei já foi aprovada e o orçamento está disponível. Espero que a Justiça compreenda seu papel e não interfira nas competências do Executivo”.
Investimentos em Segurança Pública
Simões também se debruçou sobre a segurança pública, anunciando planos para colocar 3 mil novos soldados nas ruas. “Essa é a maior quantidade de novos policiais colocados em serviço de uma só vez na história da Polícia Militar de Minas. Desde o início do meu governo, já contratamos 15 mil novos policiais”, revelou. Além disso, ele mencionou um investimento significativo de R$ 250 milhões em equipamentos para a polícia, que devem ser utilizados nos próximos meses.
Relação com os Prefeitos
O novo governador manifestou seu desejo de estreitar laços com os prefeitos do estado, prometendo um governo mais dialogador e próximo. “Quero conversar mais com os prefeitos e trabalhar em conjunto. Isso é fundamental para acelerar projetos e iniciativas que já foram iniciados pelo governo anterior”, comentou.
Dívida com a União
Simões expressou preocupação quanto à demora da União em avaliar ativos do estado, o que impede a redução da dívida de Minas. “Apenas a espera nos custa R$ 1,2 bilhão por ano. São R$ 100 milhões mensais que poderíamos usar de forma mais efetiva. Se houvesse uma resposta mais rápida, poderíamos economizar recursos valiosos”, afirmou.
Privatização e Reformas na Cemig
Sobre o futuro da Cemig, Simões deixou claro que não tem interesse na privatização da empresa, mas defende sua transformação em uma corporação mais ágil. “A Cemig precisa ser mais eficiente sem que a venda seja uma opção. É possível promover melhorias sem abrir mão da empresa”, destacou.
Planos Após a Privatização da Copasa
Referente à privatização da Copasa, o governador adiantou que os recursos gerados serão destinados ao Propag, um plano de investimento de cinco anos. “Queremos investir em infraestrutura, habitação e segurança. O valor total do projeto é de R$ 1,8 bilhões por ano”, completou.
Expectativas para as Eleições
Simões também comentou sobre a relação com Cleitinho, vereador e potencial opositor nas próximas eleições. “Meu objetivo é conquistar seu apoio, não tenho interesse em um embate. Sempre trabalhamos juntos, e não vejo razão para mudar isso agora”, declarou. O governador também se posicionou quanto ao cenário eleitoral, afirmando: “Estarei ao lado de Zema, independentemente de suas decisões sobre a chapa presidencial”.
