Expectativas Positivas para o Carnaval
A expectativa é alta entre os setores de comércio, serviços e turismo em Belo Horizonte para o Carnaval de 2026. De acordo com pesquisa realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio-MG), 65,8% dos empreendedores acreditam que o período trará impactos positivos para seus negócios.
O levantamento, que faz parte do Núcleo de Estudos Econômicos e de Inteligência & Pesquisa da Fecomércio-MG, indica que, entre os empresários entrevistados, 48,5% esperam que suas vendas se mantenham no mesmo patamar do ano passado, enquanto 42,8% preveem um aumento nas vendas. Apenas 7,5% dos consultados projetam resultados inferiores ao do Carnaval de 2025.
Além disso, a proporção de estabelecimentos que pretendem abrir durante as festividades subiu de 59,8% em 2025 para 62,3% em 2026. Essa variação demonstra uma crescente confiança no potencial do evento.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH) sublinha a importância do Carnaval para a economia local. Segundo ele, o período é uma grande oportunidade de negócios, não apenas durante as festividades, mas também antes e depois delas. Em 2025, a cidade movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão, um valor que deve beneficiar diversos setores da economia.
“O dinheiro que circula durante o Carnaval propicia um efeito em cadeia. Ele chega aos trabalhadores que estarão atuando na festa e, em seguida, se dispersa pelo comércio e outros setores, impulsionando a economia local”, destaca o presidente.
Razões para o Otimismo no Comércio
Entre os fatores que contribuem para esse clima otimista, 47,6% dos empresários acreditam que haverá um aumento no fluxo de clientes e 45,4% apontam para um crescimento no número de turistas na cidade. Outros motivos citados incluem:
- Melhora na economia (20,5%)
- Crescimento do Carnaval na capital (17,8%)
- Maior divulgação das festividades (13,5%)
A pesquisa também revela que 42,3% dos empresários esperam que o movimento de clientes se intensifique durante todo o período do Carnaval. Para 21,7%, o maior movimento deve ocorrer antes das festividades, enquanto 19,4% acreditam que o auge será nos dias de ensaios dos blocos e 12,6% esperam que o pico aconteça durante os desfiles dos blocos.
Quanto às formas de pagamento preferidas, 45,7% dos entrevistados apostam no Pix, seguidos por 26,3% que optam pelo cartão de crédito à vista e 19,4% pelo parcelado. O uso de dinheiro físico e cheque pré-datado teve pouca adesão, com apenas 1,1% e 0,6%, respectivamente.
Impacto do Carnaval na Economia Local
A economista da Fecomércio-MG, Fernanda Gonçalves, ressalta que, se bem organizado, o Carnaval pode aumentar a permanência dos consumidores e atrair visitantes de outras regiões, consolidando Belo Horizonte como um importante destino turístico. “O evento gera faturamento, emprego temporário e maior arrecadação”, afirma.
Fernanda destaca que o Carnaval passou a desempenhar um papel crucial no calendário econômico da capital. “O evento não apenas melhora o fluxo de pessoas, mas também fortalece o comércio local, estimula serviços e cria novas oportunidades de renda em um período que, tradicionalmente, é considerado fraco para muitos setores”, explica.
Preocupações e Desafios Identificados
Apesar do otimismo, 22,8% dos empreendedores ouvidos na pesquisa manifestaram que o Carnaval pode prejudicar seus negócios, enquanto 9,3% acreditam que as festividades não terão impacto significativo. Entre os pessimistas, 28,1% mencionam a desorganização e 23,4% relatam uma possível queda nas vendas.
Outro dado alarmante é que 46,9% das empresas que pretendem funcionar durante o Carnaval não planejam investir em ações específicas para a data. Por outro lado, 26,9% indicaram que aumentarão seus estoques e 16% vão dedicar recursos ao treinamento de funcionários. Apenas 7,4% cogitam contratar temporários.
A maioria (26,4%) não pretende realizar ações para incrementar as vendas neste período, enquanto 24,1% planejam usar publicidade, 23,6% apostam em preços promocionais e 20,7% em um atendimento diferenciado.
Funcionamento do Comércio Durante as Festividades
Quando analisamos as empresas que planejam operar durante o Carnaval, as farmácias, hipermercados e padarias se destacam, com 13,68% de expectativa de funcionamento. Seguem-se bebidas, hortifrutigranjeiros, minimercados e mercearias, cada um com 11,97%.
O levantamento da Fecomércio-MG indica que 67,4% das empresas pretendem funcionar todos os dias, enquanto 22,9% abrirão apenas no sábado e 20% na quarta-feira, após o meio-dia. O domingo terá 14,3% de funcionamento, enquanto outras datas têm percentuais menores.
A pesquisa também revelou que, entre os estabelecimentos que abriram durante o Carnaval de 2025, a segurança foi bem avaliada, com 13,7% considerando-a muito boa e 56,5% como boa. No entanto, o transporte público foi avaliado negativamente por 7,7% dos empresários, mostrando que ainda há desafios a serem superados.
Sobre os estoques, 56% afirmam que estão preparados, enquanto 20,6% ainda estão organizando suas encomendas. Essa preparação revela uma maturidade crescente do comércio belo-horizontino, que está aprendendo a tratar o Carnaval como uma data comercial estratégica.
“O planejamento de estoques, adaptação de horários, investimentos em atendimento e ações promocionais demonstram a capacidade de resposta do comércio e sua resiliência diante das oportunidades”, conclui Fernanda.
