Intimidade no Palco: Otto e sua Homenagem a Luiz Melodia
Quando se menciona o cantor, compositor e percussionista Otto, é difícil não imaginar suas performances vibrantes que atraem grandes multidões. Com uma trajetória enraizada nos movimentos do Manguebeat e pós-Manguebeat, ele mistura ritmos como maracatu, coco, ciranda e embolada com rock e hip hop, transformando o cenário musical brasileiro.
No dia 23 de abril, Otto desembarca em Belo Horizonte para um show que foge do habitual. O artista irá se apresentar no Centro Cultural Unimed-BH Minas, em um formato mais intimista, dentro do projeto “Uma Voz, Um Instrumento”, que celebra uma década de atividades. “Esse é um show que eu faço raramente. Recentemente, realizei uma apresentação nesse estilo, e foi incrível. A proposta é diferente, a performance é outra”, comenta Otto, destacando a atmosfera aconchegante que essa abordagem proporciona.
“É um espetáculo muito carismático, as pessoas sempre pedem mais”, acrescenta o músico, que terá ao seu lado o violonista Yuri Queiroga. Juntos, eles apresentarão canções de sua autoria e homenagearão Luiz Melodia, um dos grandes nomes da música brasileira, falecido em 2017.
Otto compara a experiência do show intimista com as performances em grandes palcos. “A diferença entre um show em teatro e um com banda não é a intensidade; em ambos você explode de emoção. É como descer uma corredeira: no barco, você sente a adrenalina, mas no navio, é uma sensação mais controlada. Com o violão, tudo se torna mais próximo, quase uma conversa, um encontro”, observa. Essa conexão com o público é a essência do que ele espera para a apresentação.
“Ter o Yuri ao meu lado é um privilégio. Ele traz um vasto conhecimento sobre violão e música, vindo de uma família artística incrível. Estamos em sintonia, e isso cria uma dinâmica ótima no palco”, elogia Otto. Essa proposta de intimidade e reunião se reflete nas escolhas do repertório, que trará composições autorais do cantor e obras de Melodia.
Otto reverencia Luiz Melodia: “Ele é uma das maiores vozes do Brasil, com um repertório riquíssimo. Um homem negro do subúrbio, oriundo do Estácio, que sempre se destacou por sua inteligência e rapidez. Ele é único”. Contudo, Otto admite que selecionar músicas de um acervo tão grandioso é um desafio. “Como escolher entre tantas canções incríveis? Estamos tentando fechar essa seleção”, revela.
Entre as canções que Otto pretende apresentar estão três clássicos de Melodia: “Estácio, Holly Estácio”, “Magrelinha” e “Codinome Beija-flor”. Do seu próprio repertório, ele opta por um conjunto que já foi bem recebido em apresentações anteriores, mas deixa espaço para possíveis mudanças. “Tenho algumas músicas que já funcionaram muito bem, então, certamente, farei uso delas”, explica. É esperado que ele interprete sucessos de diversos momentos de sua carreira, como “Bob”, “Dias de Janeiro” e “Saudade”.
O músico destaca também a importância de reconectar-se com seu público, que o acompanha ao longo dos anos. “Lembro das noites no Drosophyla, um bar que bombou em BH nos anos 80 e 90, quando o Manguebeat começou a ganhar força. Minas Gerais sempre foi fundamental para a minha trajetória”, relembra. Para Otto, essa troca com o público vai além da música; é uma verdadeira parceria.
“A cultura mineira também é parte da minha formação musical e há uma conexão entre o Nordeste e Minas, que nos une em muitos aspectos: comida, família e amizades”, finaliza Otto, que lançou em 2022 o livro “Meu livro vermelho” por uma editora mineira.
Enquanto realiza shows em diferentes formatos, Otto trabalha em um novo projeto autoral, que ainda está em fase inicial. “É um disco independente que estou começando. Já tenho cinco faixas gravadas e parcerias incríveis com artistas como Michael Sullivan, Marcos Valle, Hyldon e Luiz Caldas”, conta. Como se trata de um trabalho independente, ainda não há uma previsão de lançamento. Contudo, a expectativa é alta, e Otto parece encarar a música como a arte dos encontros, sempre promovendo conexões por meio de sua obra.
