Mudanças políticas em Minas: Pacheco opta pelo PSB, mas ainda não confirma candidaturas
O senador Rodrigo Pacheco oficializou sua filiação ao PSB, mas ao ser questionado por jornalistas, esclareceu que o momento é de filiação e não de anúncio de pré-candidatura. Segundo suas palavras, “O ato hoje é de filiação, e não de anúncio de pré-candidatura”. Ele destacou que o término do prazo para as filiações partidárias, que se encerra nesta sexta-feira (3), deverá trazer mais clareza ao cenário político, possibilitando discussões mais amplas sobre chapas e alianças futuras.
Pacheco, que até então fazia parte do PSD, revelou que tem conversado com diversas legendas, incluindo o PSDB de Aécio Neves, o MDB, o União Brasil e o PDT. Se a confirmação da candidatura de Pacheco ocorrer, uma das vagas ao Senado poderá ser ocupada por Marília Campos, prefeita de Contagem e uma das figuras mais votadas do PT no estado.
Em um momento emblemático, o senador mencionou que recebeu uma ligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva enquanto se dirigia ao ato de filiação, parabenizando-o pela nova escolha. Vale ressaltar que Pacheco esteve muito próximo de se filiar ao MDB, contando com o apoio da cúpula nacional, mas encontrou resistência de alguns líderes regionais, entre eles o deputado Newton Cardoso Jr., uma figura influente dentro do partido.
Embora não tenha mencionado diretamente o nome do atual governador Romeu Zema ou de Mateus Simões (PSD), seu antecessor no governo, Pacheco criticou abertamente o modelo atual de gestão em Minas. Ele alertou que o estado enfrenta uma dívida de R$ 185 bilhões com a União e que a relação com o governo federal é crucial. “Precisamos de um governador que tenha uma boa relação com o Palácio do Planalto”, afirmou, sublinhando que essa não é a situação atual, já que Zema mantém uma oposição ferrenha ao governo de Lula e é visto como um possível candidato à Presidência.
O ato de filiação não apenas atraiu a atenção da mídia, mas também contou com a presença de líderes nacionais do PSB. O presidente da sigla e prefeito do Recife, João Campos, fez uma visita rápida para prestigiar Pacheco. Campos deve deixar o cargo em breve para se candidatar ao governo de Pernambuco.
Outras figuras notáveis estavam presentes, incluindo o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, o ministro do Empreendedorismo, Márcio França, e o ex-presidente do PSB, Carlos Siqueira.
Após extensas conversas com o União Brasil e o MDB, Pacheco decidiu pelo PSB a apenas dois dias do fim do prazo para registro de candidaturas, o que demonstra uma estratégia calculada em meio a um ambiente político em rápida mudança. Sua transição do PSD para o PSB se deu em parte pela decisão de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, de apoiar Simões na disputa pelo Palácio Tiradentes, deixando Pacheco em uma posição de reavaliação.
Durante o mesmo ato, o PSB também acolheu o jurista Jarbas Soares, um aliado de Pacheco, que foi procurador-geral de Justiça por quatro mandatos e atuou como um dos coordenadores do acordo relacionado ao desastre de Brumadinho, cuja tragédia resultou na morte de mais de 270 pessoas.
Enquanto há indefinições sobre a candidatura de Pacheco, o PT não deixou de se movimentar. Recentemente, a sigla realizou pesquisas qualitativas envolvendo o nome de Soares, que se apresenta como uma alternativa viável, caso Pacheco decida não seguir em frente com sua candidatura. Para o PT e Lula, a prioridade permanece com Pacheco, mas o cenário continua em evolução.
