Dificuldades de Patrocínio Marcam Blocos de Carnaval de BH em 2026
Com a chegada do Carnaval de 2026 em Belo Horizonte, a menos de dez dias do início das festividades, muitos blocos ainda enfrentam obstáculos para garantir os recursos necessários para suas apresentações nas ruas. O evento, que já é um ícone da cultura local, mostra incertezas em suas finanças, prejudicando a festa.
O impacto econômico do Carnaval se intensifica a cada ano. Segundo dados da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH), a folia movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão em 2025, gerando mais de 20 mil empregos diretos e indiretos, mostrando a importância do evento para a economia local. Isso coloca a cidade em um destaque significativo no cenário nacional.
A Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (Abih-MG) revelou que, para 2026, a taxa média de ocupação dos hotéis já está em torno de 50%. A demanda é especialmente alta nas regiões Centro-Sul e Savassi, onde as taxas de ocupação chegam a impressionantes 70%. A elevação nas ocupações impulsiona não apenas o setor hoteleiro, mas também áreas como alimentação, transporte e comércio, beneficiando negócios diversos na cidade.
Os Desafios Financeiros dos Blocos de Carnaval
A realização de um desfile de Carnaval em Belo Horizonte demanda um investimento considerável. Os custos para um bloco de médio a grande porte podem ultrapassar R$ 500 mil. Isso representa um desafio recorrente para as agremiações que dependem da folia para garantir sua relevância ao longo do ano.
As agremiações enfrentam a pressão de não contarem com patrocínios robustos, além do suporte oferecido pela PBH. Essa situação gera apreensão, já que muitos blocos temem não ter verba suficiente para cobrir seus custos. A questão que se coloca é: em um cenário que favorece a interação entre marcas e consumidores, por que há tanta dificuldade em firmar parcerias comerciais?
A reportagem do Diário do Comércio investigou essa questão e conversou com diversos blocos que estão em busca de patrocínio. O Juventude Bronzeada, um dos blocos mais populares, com potencial para atrair até 100 mil foliões, informou que recebeu R$ 40 mil no edital da Belotur, mas essa quantia já está comprometida com o pagamento do trio elétrico, seu maior gasto. Portanto, o bloco ainda precisa buscar recursos adicionais.
“Contatamos marcas de cosméticos e bebidas, mas a maioria não pode investir neste momento, e não temos retorno concreto, especialmente com a proximidade do Carnaval”, lamentou o bloco em uma nota.
Outro bloco, o Tchanzinho da Zona Norte, que desfila desde 2013, precisou cancelar o Desfile Desnorteador, programado para o dia 31 de janeiro, por falta de verbas. Esse evento do ano passado contou com 10 mil foliões. A fundadora, Laila Heringer, explicou que não recebeu justificativas para as negativas de patrocínio.
Busca por Patrocínios e Alternativas
O bloco Daquele Jeito, que atraiu 15 mil foliões em 2025, também enfrenta dificuldades, atualmente focado em atrair apoio para cobrir os altos custos do desfile, que inclui um trio elétrico estimado em R$ 30 mil. “Estamos conversando com marcas de supermercados e bebidas locais, mas ainda sem respostas”, afirmou o bloco.
Procurar patrocinadores requer estratégias eficazes. As agremiações tentam mostrar como podem ser um canal de comunicação direto com o público alvo das marcas. O Juventude Bronzeada, por exemplo, possui planos de patrocínio estruturados, com entregas variadas dependendo da categoria de apoio. As contrapartidas incluem menções nos ensaios, ativações de marca durante os desfiles e até a criação de conteúdo exclusivo nas redes sociais do bloco, que possui um alcance significativo.
O bloco Daquele Jeito, por sua vez, oferece visibilidade nas redes sociais e publicações fixas relacionadas aos patrocinadores. Já o Tchanzinho da Zona Norte apresenta um plano de entrega que inclui ativações no trio e ações promocionais que envolvem brindes e postagens direcionadas nas mídias sociais.
