Petrobras reduz oferta de diesel para distribuidoras
A Petrobras não conseguiu atender totalmente a demanda de diesel de grandes distribuidoras para o mês de maio, restringindo a entrega em cerca de 10% do volume solicitado. A informação foi confirmada por fontes da Reuters, que destacaram a preocupação da estatal em evitar importações em um momento de preços elevados no mercado internacional.
Os pedidos das distribuidoras, que são baseados em contratos firmados com a Petrobras nos últimos três meses, passam por ajustes regulares. Em abril, a estatal havia negado aproximadamente 20% dos pedidos feitos pelas empresas, conforme relatos do setor.
Quando questionada sobre a restrição, a Petrobras não se posicionou imediatamente. No entanto, duas fontes informadas sobre a situação indicaram que as distribuidoras estariam solicitando volumes superiores à demanda real, numa estratégia para capturar mercado em detrimento das concorrentes menores.
O cenário do mercado brasileiro de diesel, que é o combustível mais consumido no país, vem enfrentando tensões desde o início do conflito no Golfo Pérsico, já que o Brasil depende da importação de cerca de 25% de sua demanda. A Petrobras, sendo a principal produtora nacional, está envolvida também em parte dessas importações. Para conter a alta de preços causada por essa crise geopolítica, o governo brasileiro lançou um programa de subsídios, entre outras medidas, buscando amenizar os impactos nos consumidores.
Uma fonte que preferiu não ser identificada esclareceu que as distribuidoras estão habituadas aos chamados “cortes” nas cotas, conforme o que é previsto nos contratos com a Petrobras. “Contudo, os cortes nunca foram tão significativos, geralmente em torno de 5%”, observou.
Em março, as limitações chegaram a superar 20%, o que forçou as grandes distribuidoras a aumentar suas importações para atender seus compromissos contratuais. A Petrobras, de acordo com outra fonte consultada pela Reuters, planeja oferecer uma quantidade ainda menor em maio em comparação a abril.
“Como a Petrobras não está importando, está enfrentando dificuldades na disponibilidade do produto, o que a levou a reduzir alguns pedidos”, explicou uma das fontes.
Sobre suas importações, a Petrobras reafirmou em um comunicado que não prevê aquisições externas para os meses de abril e maio. Em um esforço para equilibrar sua oferta, a empresa mencionou que adiou uma parada programada para manutenção em uma unidade de produção de diesel na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), localizada no Paraná. Essa decisão ajudou a melhorar a situação do estoque, reduzindo assim a necessidade de importações em relação aos compromissos previstos para os meses seguintes.
A restrição na oferta ocorre em meio a críticas de ministros do governo, que acusam distribuidoras e outros operadores da cadeia de combustíveis de elevarem os preços ao consumidor de forma oportunista. De acordo com duas fontes dentro da Petrobras, a empresa tem buscado atender à média de volumes demandados nos últimos três meses, mas uma dessas fontes destacou que o mercado tem requisitado muito mais do que consegue absorver. “Os grandes estão crescendo porque os pequenos não têm capital”, observou, ressaltando a dinâmica competitiva no setor.
