Aspectos Históricos que Definem a Atuação Internacional dos Estados Unidos
A atual política externa dos Estados Unidos não é um fenômeno isolado; ela remonta a séculos de história que moldaram a sociedade americana. Desde os tempos da colonização, marcada por conflitos e violência, essa trajetória gerou um padrão de relações internacionais que reflete um espírito de beligerância persistente. Essa dinâmica, que se origina da colonização britânica e espanhola, se revela na forma como os EUA interagem globalmente, sem limites éticos ou considerações semânticas, ignorando os princípios do que seria um discurso mais ético e respeitoso, muitas vezes associado ao chamado “politicamente correto”.
O imperialismo estadunidense, permeado por essa ideologia expansionista, se caracteriza não apenas por uma série de eventos históricos, mas por uma forma de ver o mundo que legitima o uso da força como uma extensão de seus interesses. Em suas intervenções, a força militar é frequentemente apresentada como uma necessidade de segurança nacional, o que leva a um ciclo contínuo de agressão e dominação.
Frantz Fanon já discutiu a alienação do colonizado, e a atualidade não é diferente. Recentemente, foi revelado como políticos brasileiros de extrema-direita colaboram com interesses norte-americanos, frequentemente em detrimento dos interesses nacionais. Essa relação se torna ainda mais evidente nas práticas de produtores rurais brasileiros, que buscam negociar diretamente com Washington, destacando o controle de políticas que impactam a soberania do Brasil, como tarifas impostas por Donald Trump.
A Força que Impulsiona as Relações Internacionais
A força que se impõe na política internacional, como as legiões romanas, é um reflexo do poder militar e econômico dos EUA. A história da expansão territorial americana, que inclui a ocupação de vastas áreas e a destruição de civilizações indígenas, compõe um legado de violência que ainda influencia a política atual. O racismo e a xenofobia, exemplificados pelo macarthismo e pela contínua perseguição a imigrantes, revelam a alma da nação, cujas guerras não têm como objetivo a defesa de seu território, mas sim a agressão e a usurpação de terras, como evidenciado pela Guerra do México, que resultou na perda de 55% do território mexicano.
O fenômeno do trumpismo não deve ser tratado como uma anomalia. A história americana é uma sequência de ações imperialistas que, embora às vezes travestidas de discursos moralistas, revelam a essência de um país que sempre buscou expandir seus domínios. A frase de Ernest Renan, que define a nação como uma “alma”, se aplica perfeitamente aos EUA, cuja identidade é intrinsecamente ligada ao imperialismo.
As palavras de Lênin, que descrevem o imperialismo como a fase superior do capitalismo, ainda ressoam com força. O capitalismo monopolista não apenas exige, mas depende da conquista de novos mercados e recursos, e essa necessidade de expansão perpetua a lógica imperial. O que vemos, portanto, é mais do que uma política externa; é uma estrutura histórica enraizada na própria essência do capitalismo.
Os Desafios do Imperialismo Contemporâneo
O cenário geopolítico atual apresenta novos desafios. A ascensão da China como uma potência econômica rival está criando uma nova dinâmica. Com investimentos massivos em tecnologia e infraestrutura, a China busca expandir sua presença global, especialmente através da iniciativa da Nova Rota da Seda, que promete conectar mercados ao redor do mundo. Essa crescente influência chinesa, somada ao seu domínio em setores estratégicos, como as terras raras, coloca os EUA frente a uma concorrência que não deve ser subestimada.
Nos gabinetes de Washington, a preocupação com o avanço chinês é palpável. Um estudo recente prevê que os EUA podem perder a supremacia econômica em um futuro próximo, caso não ajustem suas estratégias. A dependência mútua entre os dois países sugere que o jogo geopolítico do século XXI será marcado não apenas por tensões, mas também por interações complexas que envolvem comércio e diplomacia.
O Papel da Rússia e a Nova Ordem Mundial
A Rússia, que possui o segundo maior arsenal nuclear do mundo, também não pode ser ignorada nesse contexto. A guerra na Ucrânia e as tensões com a OTAN mostram que Moscou está focada em garantir sua soberania e interesses estratégicos. A necessidade dos EUA de manter um diálogo com a Rússia revela a importância de lidar com múltiplos atores em um cenário global em constante mudança.
A história nos ensina que a política internacional é um campo de disputa de narrativas, onde a construção de um discurso dominante pode controlar a percepção da realidade. O que se observa, portanto, é uma luta contínua entre potências que buscam não apenas expandir seus territórios, mas também moldar o futuro das relações internacionais. O mundo de hoje é, sem dúvida, uma reflexão da política externa dos Estados Unidos e sua constante busca por poder e controle.
