Sobrecarga Financeira nas Prefeituras
O prefeito de Betim, Heron Guimarães (União Brasil), fez duras críticas à falta de repasses financeiros dos governos federal e estadual durante uma entrevista à Rádio Itatiaia. Ele enfatizou que a administração municipal tem se visto obrigada a arcar com responsabilidades que não são diretamente suas, especialmente na área de segurança pública. Guimarães apontou que a cidade destina cerca de 27% de suas receitas para a saúde, superando os 15% exigidos por lei, devido à insuficiência dos recursos enviados pelas esferas superiores de governo. “O que vem do governo federal e do governo estadual não é suficiente para atender a população”, declarou.
Segundo Guimarães, essa pressão sobre os municípios tem comprometido as contas públicas. Ele ressaltou que, embora as prefeituras não tenham a obrigação constitucional de gerenciar certas áreas, a realidade é que, no dia a dia, são forçadas a agir para evitar que a população fique desassistida. “Os prefeitos acabam assumindo encargos que não são de sua responsabilidade, o que prejudica o funcionamento da administração”, explicou.
Parceria em Busca de Soluções
No último dia 16 de dezembro, a Associação Mineira dos Municípios (AMM) e o Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) firmaram uma parceria para investigar os gastos das prefeituras com responsabilidades que outrora pertenciam a outros níveis de governo. Essa pesquisa visa mapear o quanto os municípios têm investido para sustentar essas funções, buscando, assim, soluções mais efetivas para a questão.
Guimarães destacou que apenas a boa vontade não é suficiente para solucionar essa sobrecarga. Em suas palavras, é essencial que senadores e deputados federais se mobilizem em defesa do municipalismo. “Se não houver sensibilidade, a situação vai continuar da mesma forma, com a União levando a maior fatia dos recursos”, afirmou, enfatizando a disparidade na distribuição de verbas entre os governos.
Projeto do Rodoanel e Mobilidade Urbana
Em outro ponto, Guimarães abordou o traçado do Rodoanel em Minas Gerais, que visa reduzir os congestionamentos na capital. Em abril de 2025, Betim e Contagem se uniram para solicitar alterações no projeto proposto pelo governo estadual. Enquanto a prefeita de Contagem, Marília Campos (PT), posicionou-se contra a proposta, Guimarães revelou que chegou a um entendimento com o governador Romeu Zema (Novo).
“O plano anterior era problemático, cortando a cidade ao meio e prejudicando o acesso a escolas, postos de saúde e unidades policiais. A partir de nosso diálogo com o governo, conseguimos avanços significativos”, afirmou. Ele mencionou que alterações recentes no projeto trouxeram um traçado mais amigável, reduzindo o impacto na cidade.
Desafios na Mobilidade e Cuidado com o Meio Ambiente
Guimarães, que assumiu a prefeitura de Betim com uma estrutura já organizada, reconhece que há desafios a serem enfrentados, especialmente na mobilidade urbana. Ele revelou que a administração está em processo de licitação para reformular o transporte público da cidade. “Começaremos pela Citrolândia, a região mais afastada do centro, e estamos nos preparando para aderir ao programa Refrota do governo federal”, explicou.
O Refrota, uma iniciativa do governo Lula (PT), destina-se à renovação da frota de veículos do transporte público urbano, tornando-os mais modernos e menos poluentes. “Isso representará um avanço significativo na qualidade do transporte”, enfatizou Guimarães.
Além disso, ele mencionou que a maioria dos ônibus que circulam na cidade são intermunicipais, geridos pelo governo estadual. A realidade de Betim é marcada por importantes rodovias e trilhos que poderiam ser melhor aproveitados para o transporte de passageiros. “Embora tenhamos grandes expectativas, sabemos que ainda há um longo caminho a percorrer”, concluiu.
