Impacto Econômico Sem Precedentes
A cidade de Ubá, localizada a 290 km de Belo Horizonte, enfrenta um colapso econômico sem precedentes após as chuvas torrenciais que devastaram a Zona da Mata nesta semana. Os temporais, que já resultaram na morte de mais de 60 pessoas, também causaram danos significativos aos negócios locais. De acordo com o Relatório de Impacto Econômico divulgado pela Associação Comercial e Industrial de Ubá (ACIUBÁ) nesta quinta-feira (26), as perdas financeiras diretas nas empresas formalizadas da cidade estão estimadas entre R$85 milhões e R$145 milhões.
A pesquisa, realizada nos dias 25 e 26 de fevereiro, revelou que a enchente afetou cerca de 340 empresas, levando a uma ruptura drástica nas atividades comerciais e industriais do município. Impressionantes 88,8% das companhias afetadas relataram danos severos, enquanto aproximadamente 62 estabelecimentos (18,2%) enfrentaram perda estrutural total.
Crise no Mercado de Trabalho
O impacto econômico não se limita apenas aos dados financeiros; as famílias ubaenses também sentem as consequências. A ACIUBÁ estima que entre 1.800 e 2.500 postos de trabalho diretos estão em risco imediato. Quando se considera o efeito multiplicador da economia regional, esse número pode alcançar até 6.250 empregos, incluindo os postos indiretos.
A situação é alarmante. Uma pesquisa indicou que 51,5% das empresas afirmaram não ter condições para manter a folha de pagamento nos próximos dias, o que pode levar a uma onda de demissões em massa se não houver uma intervenção rápida e eficaz.
Setores em Situação Crítica
Embora os setores de Vestuário e Móveis sejam os mais afetados, com 42 e 38 empresas respectivamente, outras áreas também estão enfrentando desafios significativos. No setor de Saúde, o Hospital São Januário reportou um prejuízo de R$6 milhões, enquanto concessionárias de veículos registraram perdas individuais superiores a R$4 milhões.
Adicionalmente, o relatório menciona um “efeito cascata” nos serviços, onde o colapso financeiro das empresas afetadas acaba atingindo os contratos de serviços de outras companhias.
Demanda por Crédito Emergencial
Para ajudar a reerguer a economia da cidade, o relatório apresenta a necessidade urgente de um crédito emergencial que varia de R$53 milhões a R$87 milhões. Esses recursos são essenciais para cobrir despesas com capital de giro, reformas e reposição de estoques.
No entanto, um obstáculo significativo foi identificado: 41% das empresas não conseguem acessar as linhas de crédito tradicionais devido à perda dos documentos essenciais na enchente. A ACIUBÁ defende um mutirão para regularizar a documentação das empresas afetadas imediatamente.
O presidente da ACIUBÁ, Elias Ricardo Coelho, destacou que o tempo para agir é curto. Entre as recomendações enviadas aos governos estadual e federal, foram sugeridas medidas como:
- Liberação de crédito por meio do BDMG, Banco do Brasil e Caixa Econômica, com juros reduzidos e períodos de carência;
- Prorrogação do pagamento de impostos (ICMS e ISS) por um período de 90 a 180 dias;
- Criação de um Fundo de Amparo ao Emprego, destinado a custear salários e prevenir o desemprego.
Para as 62 empresas que relataram perda total, o relatório enfatiza a necessidade de socorro financeiro e laudos estruturais em um prazo máximo de 30 dias, para evitar o fechamento definitivo dessas unidades.
Tragédia e Busca por Desaparecidos
Por fim, a Zona da Mata mineira registrou até a manhã desta sexta-feira (27) 65 mortes confirmadas devido aos temporais que afligem a região desde o começo da semana. As informações do Corpo de Bombeiros indicam que 59 vítimas foram contabilizadas em Juiz de Fora e seis em Ubá.
Além disso, ainda há quatro pessoas desaparecidas—duas em Juiz de Fora e duas em Ubá. Para auxiliar nas buscas, o Corpo de Bombeiros mobilizou seis frentes de trabalho na região, concentrando esforços nos bairros JK, Linhares, Paineiras e Bom Clima em Juiz de Fora.
