Governo de Minas define preço mínimo para privatização da Copasa
O governo de Minas Gerais anunciou o valor mínimo de R$ 47,23 por ação para a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). A decisão foi tomada após as propostas iniciais dos investidores ficarem abaixo do esperado pelo Estado. Essa medida deixa claro o posicionamento do governo diante do processo de venda da participação na empresa.
As ações da Copasa fecharam o pregão em R$ 50,75, registrando uma alta de 16,7% no acumulado do ano. Com isso, o valor de mercado da companhia alcançou R$ 19,3 bilhões, reforçando o papel estratégico da estatal no setor de saneamento.
Cronograma e condições da oferta
O processo de privatização segue um cronograma rigoroso: os interessados devem apresentar suas propostas até 3 de junho. A definição do preço final por ação está marcada para 11 de junho, com início das negociações na Bolsa de Valores (B3) previsto para 15 de junho. Caso a oferta final fique abaixo do valor mínimo estipulado, o governo cancelará a operação.
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O edital prevê a venda de até 190 milhões de ações, o que pode movimentar cerca de R$ 10 bilhões, considerando a cotação de referência de maio. O investidor selecionado terá direito a 30% do capital da Copasa, com um compromisso firme de manter as ações por pelo menos quatro anos (lock-up). Após esse período, deverá conservar metade das ações até 2033 ou até o cumprimento das metas de universalização do serviço.
Investidores demonstram cautela diante do valor mínimo
Entre os interessados estavam nomes relevantes do setor, como a Equatorial Energia e um consórcio formado pela Aegea Saneamento e seus acionistas. No entanto, nenhum deles aceitou pagar o valor mínimo definido pelo governo mineiro, o que levou à suspensão temporária da etapa de escolha do acionista de referência. Essa fase é considerada crucial para o sucesso da operação, segundo fontes próximas ao processo.
A discrepância entre o preço mínimo e as propostas do mercado revela um desafio para o Estado na busca por um equilíbrio entre o retorno financeiro e a atratividade da oferta. O governo, portanto, mantém a posição firme de não aceitar valores inferiores a R$ 47,23 por ação, reforçando a importância de preservar o valor da empresa para os cofres públicos.
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Impactos econômicos e próximos passos
Se todas as ações forem vendidas, o governo de Minas Gerais deixará de ser acionista da Copasa, e as ações em circulação representarão 54,3% do capital social. A operação está sendo conduzida por cinco grandes instituições financeiras: BTG Pactual, Itaú BBA, Bank of America (BofA), Citi e UBS BB, que atuam na coordenação e estruturação do processo.
Essa privatização tem o potencial de movimentar até R$ 10 bilhões e impactar diretamente a economia regional, com efeitos na geração de empregos, investimentos em infraestrutura e no preço dos serviços de saneamento. A decisão do governo de estabelecer um valor mínimo por ação mostra a preocupação em garantir que a operação traga benefícios concretos para Minas Gerais, evitando desvalorizações que possam afetar a receita pública.
O mercado acompanha atentamente as próximas etapas, com a expectativa de que as negociações avancem dentro dos parâmetros definidos, preservando o equilíbrio entre o interesse público e a atração de investidores estratégicos para o setor.
