Chef de Cozinha Registra Ocorrência por Discriminação
Uma chef de cozinha de Belo Horizonte, Juliana Duarte, fez uma grave denúncia à polícia envolvendo seu marido, Pedro Edson Cabral Vieira, que é cadeirante. O incidente ocorreu na noite da última quinta-feira (12) e teve como principal suspeito um professor da Escola de Engenharia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
De acordo com Juliana, que é proprietária de um restaurante no bairro Santo Antônio, ela, seu marido e a cuidadora se dirigiam para o estabelecimento quando se depararam com um carro estacionado na faixa de pedestres. A situação impediu o acesso à rampa de acessibilidade, crucial para a locomoção de seu marido.
Decidida a resolver a situação, Juliana foi até o local do veículo e identificou seu proprietário como sendo o professor Pedro Benedito Casagrande. Ela pediu educadamente que ele retirasse o carro para liberar a passagem. Durante essa abordagem, questionou o professor sobre a falta de respeito em estacionar em uma área destinada aos pedestres. A resposta dele foi desdenhosa: ‘Não tenho vergonha, sou escroto’.
Após o veículo ser movido, a chef pensou que tudo estava resolvido, mas o professor a surpreendeu. Ele se dirigiu a Pedro com um comentário ofensivo: ‘Tchau, cadeirante. Espero que você ande muito por aí’. Juliana ficou tão chocada que não conseguiu responder na hora. O professor, ainda, entrou no restaurante, onde reforçou sua provocação: ‘E aí, ele voltou a andar?’.
“Fiquei muito abalada, é uma situação inexplicável. O que vivemos foi uma violência”, lamentou Juliana, que relatou o ocorrido à polícia.
Boletim de Ocorrência e Repercussão
Juliana registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Atendimento à Pessoa com Deficiência e ao Idoso, em Belo Horizonte. Além disso, denunciou o professor à ouvidoria do governo federal. O marido dela sofre de uma doença degenerativa há quatro anos, que o impede de falar e se locomover, mas ele está ciente de tudo o que ocorreu e nunca havia enfrentado uma situação similar antes.
“Precisamos lutar por justiça. Espero que ele seja responsabilizado e que essa situação nos ajude a trazer à tona a discriminação contra pessoas com deficiência. Agora é uma luta, é um assunto que tocou nosso coração”, finalizou Juliana.
Posicionamento da UFMG e Polícia Civil
A reportagem tentou contato com o professor Pedro Benedito Casagrande, mas até a última atualização, não obteve retorno. Em nota, a Polícia Civil informou que o inquérito está sendo conduzido pela Delegacia Especializada em Atendimento à Pessoa com Deficiência e ao Idoso.
A UFMG também se manifestou sobre o caso. Em sua nota, a universidade declarou que “recebeu uma denúncia envolvendo um professor da Escola de Engenharia, relacionada a ato de ofensa e discriminação contra pessoa com deficiência”. A instituição garantiu que a denúncia será apurada com rigor e que tomará todas as medidas necessárias conforme a legislação.
Além disso, a UFMG reafirmou seu compromisso contra qualquer forma de discriminação, afirmando que não tolera condutas que violem a dignidade humana e os direitos fundamentais. A universidade destacou a importância de que seus servidores ajam com ética e respeito, tanto dentro quanto fora do ambiente acadêmico.
Esse incidente ressalta a necessidade de conscientização sobre a inclusão e o respeito às pessoas com deficiência, questões que ainda precisam de muita atenção na sociedade.
