PT define estratégia para candidatura ao governo de Minas Gerais
O Partido dos Trabalhadores (PT) de Minas Gerais decidiu avançar na construção de uma candidatura própria para disputar o governo estadual nas eleições de 2026. A decisão foi anunciada pela presidente do PT em Minas, deputada Leninha, durante o seminário “Lula pelas Minas e pelos Gerais”, realizado no último sábado (30), em Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. O evento reuniu cerca de 1.500 pessoas e contou com a participação do presidente nacional do PT, Edinho Silva, além de pré-candidatos a deputados estaduais e federais da legenda.
Segundo Leninha, a iniciativa visa garantir protagonismo ao partido, evitando depender de decisões externas à federação. “Estamos nessa discussão da importância do PT protagonizar outra história, para a gente não ficar refém de decisões de fora do partido e da federação. A gente fez a reunião da Executiva, tiramos uma resolução de colocar uma candidatura própria para discutir”, ressaltou.
Avaliação de nomes para a chapa majoritária
O PT mantém diálogo aberto com outras legendas, mas busca chegar à convenção estadual em julho com um nome próprio para liderar a chapa ao governo. Entre os nomes em análise estão a ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Sandra Goulart, e o deputado federal Reginaldo Lopes. Edinho Silva destacou a relevância da ex-reitora para o partido: “Ficamos extremamente felizes com a entrada da Sandra no PT. É uma liderança não só reconhecida em Minas Gerais, é uma liderança conhecida no Brasil inteiro. Ela é uma reitora de muita visibilidade por tudo que ela construiu. É um nome, mas nós temos outros nomes aqui em Minas também.”
Outro nome ventilado anteriormente para a disputa ao governo era a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, que foi confirmada para concorrer ao Senado. Já o deputado federal Rogério Correia, também cogitado para o governo, deve disputar a reeleição na Câmara.
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Impacto da decisão de Rodrigo Pacheco
Após a confirmação do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, de que não disputará o governo de Minas Gerais, o PT iniciou conversas com partidos aliados e com sua direção estadual para definir a estratégia eleitoral. Edinho Silva ressaltou a importância de respeitar lideranças locais: “Minas é um Estado fundamental para a construção da nossa tática nacional. Então, acho que seria um erro se nós agíssemos por impulso, se não considerássemos as principais lideranças de Minas Gerais. E o Rodrigo Pacheco é uma grande liderança em Minas Gerais. Eu acho que foi correto respeitar esse processo e, agora, respeitar a posição dele.”
O dirigente também valoriza o diálogo intenso com a direção estadual do PT. “Nós queremos ouvir à exaustão o que pensa o PT de Minas Gerais. Porque ninguém conhece melhor Minas do que quem vive em Minas. A posição do PT de Minas Gerais vai ter muito peso para nós, muito”, afirmou Edinho. Na última segunda-feira, ele participou de reunião conjunta com a Executiva estadual e a bancada federal para reforçar a construção da candidatura própria.
Resolução da Executiva estadual e alianças estratégicas
A Executiva estadual do PT divulgou resolução afirmando que é “inadmissível que, em pleno maio de 2026”, o partido esteja “esperando por nomes externos” para liderar o palanque local do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O documento reforça que o PT terá sua posição própria e negociará a partir dela, mantendo o diálogo com outras lideranças e partidos até a definição da chapa em julho.
Edinho Silva ressaltou a continuidade das conversas com partidos aliados, destacando o PSB e o PDT como parceiros fundamentais. “O PSB é um grande aliado, é o partido do vice-presidente da República [Geraldo Alckmin], precisa ser ouvido. O PDT é um aliado fundamental para nós. Nós temos aliança com o PDT em diversos estados”, explicou.
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Encontros e negociações com lideranças locais
Neste sábado, Edinho tem encontro marcado com o ex-prefeito de Belo Horizonte e pré-candidato ao governo pelo PDT, Alexandre Kalil. “O Kalil é uma figura que a gente tem muito respeito. É uma liderança que tem que ser respeitada aqui em Minas Gerais por tudo que construiu como prefeito, o papel que cumpriu nas últimas eleições. É uma das lideranças que nós estamos conversando, como estamos conversando com outras”, afirmou.
Recentemente, Edinho também se reuniu com o empresário e ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, Josué Gomes da Silva (PSB), apontado como possível nome de consenso para apoiar em Minas, e com o ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais, Jarbas Soares. Há ainda a intenção de conversar com o ex-vereador Gabriel Azevedo (MDB), pré-candidato pelo MDB.
Critério para definição do candidato
Para a presidente estadual, a escolha do nome dependerá do compromisso do pré-candidato em compor o palanque do presidente Lula. “O Jarbas vai subir no palanque do Lula? O Gabriel vai subir? O Josué a gente já conversou, ele topa. Então, a pergunta principal para nós em Minas é quem vem para o nosso time do Lula?”, questionou Leninha.
O PT de Minas Gerais segue, assim, estruturando sua estratégia para 2026, priorizando o protagonismo local e a consolidação de alianças que garantam competitividade e unidade em torno do projeto presidencial de reeleição de Lula no estado.
