Alianças Políticas e Desafios nos Estados
Em meio a uma série de movimentos estratégicos, o Partido dos Trabalhadores (PT) anunciou o apoio ao candidato do PDT no Paraná, formando uma aliança com vistas às eleições de 2026. Os dois partidos, que anteriormente enfrentaram tensões, buscam unir forças para enfrentar candidatos adversários, como o ex-juiz Sergio Moro e o atual governador Ratinho Jr. No entanto, a relação entre as siglas ainda apresenta desafios, principalmente em estados considerados cruciais.
No âmbito federal, a relação entre PDT e PT sofreu um abalo significativo no primeiro semestre deste ano, quando a bancada pedetista na Câmara decidiu se desvincular da base de apoio ao governo Lula. Apesar disso, integrantes do PDT, liderados por Carlos Lupi, expressam otimismo em relação ao apoio contínuo à reeleição de Lula.
Embora as conversas estejam avançando, as articulações ainda são complexas em Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul, onde cada partido tem suas prioridades. No estado gaúcho, o PDT apresentou a ex-deputada Juliana Brizola como pré-candidata ao governo, enquanto o PT aposta na candidatura de Edegar Pretto, atual presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Durante um evento político em Minas, o dirigente Edinho Silva destacou a importância de um diálogo aberto com Juliana Brizola, reconhecendo seu potencial no cenário político. Entretanto, aliados de Pretto afirmam que ele não pretende desistir de sua candidatura, o que levanta questões sobre a possibilidade de uma chapa conjunta. A insistência de ambas as partes em liderar a aliança pode dificultar um consenso.
— Juliana não pode ser vice. Estamos prontos para apoiar o PT em diversos estados, como Bahia e Ceará. Esperamos que esse apoio seja recíproco — afirmou Lupi, enfatizando a necessidade de reconhecimento mútuo nas alianças.
As negociações ainda envolvem o apoio do PT a Alexandre Kalil, recentemente filiado ao PDT, que busca uma candidatura ao governo de Minas. Além disso, há a intenção de apoiar Requião Filho, deputado estadual e pré-candidato do PDT ao governo paranaense. A situação em Minas se complica ainda mais, uma vez que o PSD, partido que pertence ao senador Rodrigo Pacheco, filiou o vice-governador Mateus Simões, rival do PT.
Embora Pacheco seja visto como uma possibilidade para estruturar o palanque de Lula em Minas, ele já afirmou que não pretende ser candidato, tornando essa alternativa menos viável. O PT, por sua vez, está considerando uma composição em que o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, concorra ao Senado, embora ele também esteja no PSD, o mesmo partido de Pacheco.
Edinho Silva tem trabalhado para criar uma aliança com Kalil, mas enfrenta resistência de setores do diretório petista que preferem outras opções, como o presidente da Assembleia Legislativa de Minas, Tadeu Leite (MDB), ou o ex-senador Clésio Andrade (PSB).
No Paraná, Requião Filho já estabeleceu um entendimento com o petista Enio Verri, atual presidente de Itaipu Binacional. A proposta envolve que Verri concorra a uma das duas vagas ao Senado, enquanto Requião Filho se posicionaria para a disputa ao governo estadual. É importante notar que Requião Filho saiu do PT no início deste ano, após desavenças com a direção nacional.
Conforme reportado anteriormente, ainda estão sendo realizadas tratativas para incluir na chapa outra ala do PT no Paraná, sob a liderança do deputado Zeca Dirceu. A busca por um consenso continua, mas o tempo é um fator crítico.
A aproximação entre PDT e PT também gerou descontentamento dentro do PDT, levando à desfiliação do ex-ministro Ciro Gomes, que decidiu permanecer na oposição à sigla de Lula no Ceará. Ciro tem sido vocal em suas críticas à estratégia de Lupi, presidente do PDT, que, apesar de não estar entre os investigados em um esquema da Polícia Federal relacionado a fraudes no INSS, ainda assim sofreu desgaste devido à indicação de Alessandro Stefanutto, ex-diretor do INSS, preso sob suspeita de corrupção.
As disputas estaduais, portanto, permanecem intensas, e as alianças entre os partidos de esquerda se mostram cada vez mais necessárias, mas complicadas.
