Desempenho Abaixo do Esperado
O comércio de materiais de construção em Belo Horizonte começou 2026 com um desempenho mais fraco do que o previsto. Dados do Sindicato do Comércio Varejista de Material de Construção (Sindicamo) revelam uma queda nas vendas em janeiro, que acende um sinal de alerta para o setor, já que a expectativa para o primeiro bimestre não é animadora.
De acordo com Júlio Gomes Ferreira, presidente do Sindicamo, as vendas em janeiro apresentaram uma retração de 2% em comparação ao mesmo período de 2025. “O mês não trouxe os resultados que esperávamos”, explicou Ferreira, que também antecipou um cenário desafiador para fevereiro. “Infelizmente, a situação pode se agravar ainda mais.”
Fatores que Influenciam a Retração
Os altos juros e a instabilidade do cenário econômico internacional são os principais fatores que têm impactado as vendas. Apesar da recente redução dos juros pelo Banco Central, a medida foi considerada insuficiente. “O corte de 0,25 ponto percentual não foi o que esperávamos; precisávamos de uma redução de pelo menos 0,5”, destacou. Ferreira aponta a discrepância entre a inflação, que está em torno de 3,7%, e a taxa básica de juros, acima de 14%, como uma diferença preocupante.
O clima de incerteza, exacerbado por conflitos internacionais e questões econômicas internas – como os problemas envolvendo o Banco Master – também contribui para uma atmosfera de cautela. “O comércio está precavido; as expectativas não são das melhores”, resumiu Ferreira.
Variações de Desempenho no Interior de Minas Gerais
Enquanto a situação em Belo Horizonte é de retração, o interior de Minas Gerais apresenta uma realidade distinta. O presidente do Sindicamo acredita que o setor na região interiorana pode ter registrado um crescimento de cerca de 2% em janeiro, impulsionado pelo agronegócio. “As atividades ligadas ao agro, como pecuária e café, geram uma dinâmica diferente na região”, explicou.
Outro ponto a ser considerado são os fatores sazonais que tipicamente afetam o primeiro bimestre do ano. Com as férias de janeiro, o Carnaval em fevereiro e o aumento das chuvas, o resultado das vendas fica comprometido. “Para nós, o ano começa efetivamente após a Semana Santa”, afirmou Ferreira, expressando otimismo cauteloso para o futuro, embora cercado de incertezas.
Desafios e Perspectivas para o Setor
A escassez de mão de obra na construção civil também é um desafio significativo, elevando custos e impactando toda a cadeia produtiva. “A falta de profissionais qualificados é um problema sério e tem contribuído para o aumento dos preços”, disse Ferreira, ressaltando que a condição climática, especialmente no início das obras, também é um fator complicador. “As chuvas dificultam as etapas iniciais das construções, como o desaterro.”
Ferreira destacou que as construtoras sentem esse impacto de forma mais aguda que os consumidores individuais. “Enquanto o consumo por particulares não é tão afetado, as empresas enfrentam sérias dificuldades.”
Incertezas Marcam o Futuro do Setor
A falta de um panorama econômico e político estável impede que o setor faça projeções otimistas. Ferreira, ao comentar sobre o futuro, foi enfático: “A única certeza é a incerteza. Somente Deus sabe o que virá.” Para ele, a situação dos juros, o cenário internacional e a instabilidade econômica são fatores determinantes na expectativa do setor, que permanece apreensivo. “Com essas questões indefinidas, é difícil vislumbrar um futuro positivo”, concluiu.
