Aumento da Taxa de Juros e Inflação Estagnada Afetam o Varejo Mineiro
As vendas no varejo de Minas Gerais registraram uma diminuição de 2,5% em dezembro, quando comparadas ao mesmo mês do ano anterior. Esta análise faz parte da 36ª edição do Índice do Varejo Stone (IVS), que avalia o desempenho dos comércios associados à fintech Stone, cruzando dados com informações públicas.
Um dos principais fatores apontados para essa queda é a alta da taxa básica de juros (Selic), que encerrou o ano de 2025 em 15% ao ano, conforme decidido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Guilherme Freitas, economista da Stone, explicou: “A principal diferença foi a piora das condições financeiras ao longo de 2025, especialmente no segundo semestre, que acabou ofuscando o suporte oriundo do mercado de trabalho. Mesmo com o desemprego em níveis historicamente baixos e renda ainda estável, os juros reais elevados e o crédito se tornando mais caro e restrito, além de um alto nível de endividamento, pressionaram o consumo e diminuíram a movimentação do varejo.”
A inflação, particularmente em serviços, também se manteve resiliente, não permitindo que se iniciasse um ciclo de queda nas taxas de juros, o que prolongou as condições restritivas para o setor. Minas Gerais seguiu a tendência observada em muitos estados do Brasil, onde apenas Piauí (2,3%), Alagoas (1,2%) e Rondônia (1,1%) registraram crescimento no varejo, de acordo com o índice. Na região Sudeste, apenas São Paulo teve um desempenho melhor, com uma queda de 1,8% nas vendas.
O recuo nas vendas em Minas já era uma tendência observada nos dois meses anteriores a dezembro. Freitas destacou que essa situação foi exacerbada pelo ritmo mais lento na contratação de trabalhadores formais, o que impactou negativamente o consumo durante o período. “O quarto trimestre foi quando o encarecimento do crédito e o aumento no comprometimento da renda com o pagamento de dívidas parecem ter afetado mais as decisões de compra, especialmente de bens de maior valor que dependem mais de financiamento”, analisou.
As expectativas de Freitas para o início de 2026 não são animadoras, apresentando um viés de fraqueza ou, na melhor das hipóteses, estabilidade em níveis baixos. Isso se deve à continuidade dos fatores que enfraqueceram a atividade econômica no final do ano passado, como os juros elevados, o crédito restrito, o alto endividamento e a inflação de serviços.
Para uma recuperação mais robusta, o economista acredita que é essencial uma combinação de desaceleração mais clara da inflação, especialmente em serviços, e uma flexibilização gradual da política monetária, que poderia facilitar o acesso ao crédito, beneficiando especialmente o consumo de bens de maior valor agregado, como móveis e eletrodomésticos.
