Explorando o impacto da cultura sul-coreana no Brasil
O fenômeno da Hallyu, que refere-se à popularização da cultura sul-coreana globalmente, tem encontrado um terreno fértil no Brasil. Desde os anos 1990, essa onda, que engloba desde K-pop até K-dramas, movimenta bilhões de dólares anualmente. No último mês de janeiro, a Netflix lançou o reality show “Meu namorada coreano”, que promete mostrar um lado diferente dos romances idealizados que as produções coreanas costumam apresentar.
Neste contexto, cinco mulheres brasileiras embarcaram em uma jornada até Seul, visando ver se suas expectativas românticas se realizariam. Durante seis episódios, o público acompanha cada passo do quinteto em busca de romances que, à primeira vista, parecem saídos diretamente de um K-drama.
Antes mesmo de desembarcar na Coreia do Sul, essas mulheres já cultivavam relações à distância com candidatos sul-coreanos, com quem se conectaram por meio de redes sociais e aplicativos de namoro. Algumas delas, inclusive, já haviam se encontrado pessoalmente.
Expectativas e realidade no coração da Coreia
Cada participante possui objetivos distintos. Enquanto uma delas deseja reviver a intensidade de um primeiro encontro, outra busca confirmar a existência do homem com quem mantém uma relação virtual. Um dos destaques da temporada é a mineira Morena Mônaco, que teve um “final feliz” ao se casar com Suwoong, um sul-coreano. A filha de pais de origens diferentes, Morena nasceu na Suíça e voltou ao Brasil com 19 anos. Em 2019, uma de suas músicas fez sucesso, chamando a atenção do público.
No reality, Morena se casa duas vezes: uma cerimônia na Coreia e outra em Belo Horizonte, na Igreja São José. Atualmente, o casal vive entre São Paulo e a capital mineira, e a repercussão positiva dos telespectadores tem sido uma surpresa agradável para a artista. “Fui bem acolhida e o público está torcendo pela gente”, revelou, mencionando a felicidade de conciliar sua carreira artística com sua nova vida como influenciadora digital.
Críticas e polêmica em torno do reality
Desde o seu anúncio, o reality tem sido alvo de polêmicas, abordando temas como a fetichização dos relacionamentos interculturais. Em 2019, a Coreia do Sul enfrentou críticas quando homens foram presos por tráfico sexual de brasileiras sob falsas promessas de carreira no K-pop. A violinista Hyu-Kyung Jung, presidente do Instituto de Cultura Coreana em Minas Gerais, comenta que o sucesso do programa denota um crescente interesse pela cultura sul-coreana, mas também levanta questões sobre a forma como isso é consumerizado.
“Isso transforma a complexidade de uma sociedade rica em diversidade cultural em produtos de entretenimento simplistas”, avalia. Segundo ela, a forte identificação dos brasileiros com os dramas coreanos pode ser atribuída a narrativas emocionais intensas e personagens que refletem valores universais.
Desilusões desde o início
Entretanto, a expectativa do romance perfeito logo se desmorona. Desde os primeiros episódios, o que se vê é a realidade nua e crua, onde a comunicação geralmente em inglês se torna um obstáculo e a idealização dos relacionamentos se transforma em desilusões. As participantes não se mostram ingênuas; pelo contrário, elas têm consciência de suas identidades e experiências prévias, estabelecendo um equilíbrio entre a cultura coreana e suas próprias raízes.
Adicionalmente, o programa, que inclui dois episódios extras com reações de personalidades sobre os acontecimentos, gera um debate amplo sobre a representação e idealização de relações interculturais. Quanto mais as participantes se aprofundam em suas experiências, mais clara se torna a necessidade de um diálogo respeitoso e realista sobre as complexidades desses relacionamentos.
