Repasse Insuficiente e Demandas Crescentes
O prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião (União), fez duras críticas nesta quarta-feira (25/2) aos valores repassados pelo Estado e pela União ao município para o custeio da saúde. Em suas declarações, Damião defendeu que esses repasses são insuficientes para cobrir a demanda crescente que as prefeituras enfrentam. Ele ressaltou que os governos precisam ir além do que é obrigatoriamente destinado e aumentar sua contribuição no financiamento do Sistema Único de Saúde (SUS).
“Belo Horizonte não se limita a enviar apenas a cota exigida. Superamos esse limite em quase 30%”, afirmou o prefeito. “O Estado não pode simplesmente enviar o que é exigido. O governo federal também não pode se restringir a isso, pois a responsabilidade acaba recaindo sobre o município, que precisa cuidar de uma população ampla e diversificada.”
Pressão Financeira e Saúde Pública
Durante suas considerações, Damião destacou a pressão que a saúde exerce sobre as finanças da capital mineira, afirmando que a conta “já não fecha mais”. Segundo ele, “a cada R$ 1 que entra nos cofres de Belo Horizonte, R$ 0,31 vão para a saúde”, um montante que, segundo ele, ainda é insuficiente. O prefeito ainda observou que a cidade não atende apenas os residentes locais, enfatizando a necessidade de uma compreensão mais ampla do governo estadual e federal sobre essa realidade.
“Belo Horizonte não cuida apenas dos belo-horizontinos. Recebemos pacientes de todo o Estado. Se fôssemos atender apenas a nossa população, o orçamento seria mais equilibrado”, ressaltou.
Propostas aos Candidatos e Encontro sobre Transformação Digital
Os dados apresentados pelo prefeito serão utilizados em um documento formal com propostas para os futuros candidatos ao Governo de Minas e à Presidência da República. O encontro, intitulado “Transformação Digital no SUS e o Papel das Prefeituras”, também abordou a aplicação da tecnologia na saúde pública. Damião argumentou que a digitalização é uma estratégia essencial para melhorar a eficiência e reduzir as filas no SUS. Ele mencionou a telemedicina e a integração de prontuários como soluções viáveis que podem otimizar o atendimento ao cidadão.
“A tecnologia serve para priorizar situações e integrar sistemas. Muitas vezes, o cidadão pode resolver suas questões de saúde de casa, evitando a necessidade de ir até uma unidade de saúde”, destacou Damião.
Por fim, o prefeito expressou a disposição de Belo Horizonte em compartilhar as experiências adquiridas com municípios do interior que estão iniciando seus processos de modernização. “Não é preciso cometer erros para aprender. Se já temos conhecimento, podemos orientar os outros”, concluiu.
