A Mobilização pelo Resgate da AMI
Um grupo formado por 27 jornalistas, publicitários e profissionais de comunicação deu início, no começo deste mês, a um abaixo-assinado com a proposta de revitalizar e democratizar a Associação Mineira de Imprensa (AMI). A iniciativa, amplamente divulgada nas redes sociais pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais (SJPMG), alega que a AMI perdeu sua função de colegialidade e representatividade junto aos trabalhadores e empresas do setor.
No dia 19 de outubro, os integrantes do movimento apresentaram na Justiça um pedido que visa restaurar a associação, reconhecida como uma das mais significativas no campo da comunicação, das artes e da cultura em Minas Gerais. A informação foi revelada ao Brasil de Fato MG pelo porta-voz do movimento, Washington Mello, que já ocupou a presidência da Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e do SJPMG.
O manifesto será oficialmente lançado no próximo dia 30, às 11 horas, no pátio da Academia Mineira de Letras. Com mais de mil assinaturas, o documento destaca que a AMI, que já exerceu grande influência na cultura mineira e é a mais antiga entidade da classe jornalística do país, encontra-se atualmente paralisada.
“Desde junho de 2024, um grupo de 27 jornalistas tem se mobilizado para reivindicar judicialmente o direito de se filiar à AMI e sugerir mudanças que permitam à entidade retornar a uma gestão democrática e transparente, restaurando sua representatividade e cumprindo os princípios estabelecidos em seu estatuto”, explica Mello.
Denúncias de Restrições e Abandono
O manifesto denuncia que profissionais da comunicação têm sido impedidos de participar de reuniões, com a entrada vetada até mesmo para ex-associados, que foram expulsos sob a alegação de inadimplência. Além disso, a sede da AMI está fechada e a associação tem se recusado a aceitar novos associados, incluindo jornalistas, radialistas e publicitários.
“Buscamos resgatar uma instituição que tem uma rica história e biografia. Os profissionais que assinam este manifesto querem salvá-la”, afirma o documento.
Para solucionar a situação, o manifesto propõe a possibilidade de adesão de novos membros e a implementação de práticas democráticas na gestão. Essa abordagem, segundo o texto, permitiria à AMI reafirmar seu papel como uma voz independente e robusta em defesa dos valores do jornalismo.
“Nos últimos anos, várias iniciativas têm sido feitas para garantir, judicialmente, o direito de se associar à AMI e implementar mudanças que a façam retornar à gestão democrática e transparente, com a representatividade que tanto necessita. Até o momento, a situação permanece inalterada, apesar das diversas tentativas de recuperação”, declarou Mello em uma nota divulgada.
O Contexto e a História da AMI
Segundo o movimento, a crise da AMI começou em 2008, quando foi assumida por um grupo que desviou a entidade de seus objetivos originais. Desde então, a associação não tem promovido atividades culturais e não oferece nenhum tipo de serviço aos seus potenciais membros. Ex-associados, como aponta Mello, estão proibidos de se filiar e frequentar a sede, localizada na Rua da Bahia, número 1450, que permanece trancada e com corrente na porta. Recentemente, o acesso ao prédio foi ainda mais restringido com a construção de um muro ao redor.
“A única ‘atividade’ da AMI atualmente é o aluguel do espaço inferior do prédio, onde funciona um restaurante self-service. Não há prestação de contas sobre essa operação, e o proprietário do restaurante se recusa a fornecer informações sobre o contrato”, denuncia Mello.
Além disso, alterações estatutárias promovidas pelas últimas diretorias da AMI ampliaram os mandatos e aplicaram “cassação” a associados considerados “inadimplentes”. Ao buscar informações online sobre a entidade, o que se encontra é um site desatualizado, com várias abas vazias, que lista uma diretoria composta por nomes como Jose Honorato e Alvaro Souza, entre outros.
Desde que o grupo assumiu a AMI, essas diretorias têm se reeleito em mandatos consecutivos, organizando assembleias que envolvem pessoas muitas vezes desconhecidas no meio jornalístico. Apesar das denúncias, eles asseguram que todas as decisões estão devidamente registradas em ata, alegando transparência. A última eleição ocorreu em setembro de 2024, com mandato previsto até setembro de 2028.
Papel Histórico da AMI e Questões Atuais
Fundada em 1921 em Juiz de Fora, a AMI é a mais antiga entidade da categoria no Brasil. Com a mudança de sede para Belo Horizonte em 1951, a associação se consolidou como uma figura de destaque na representação dos profissionais e empresas de comunicação no estado. “Durante décadas, a AMI teve um papel fundamental na defesa e representação dos jornalistas e da imprensa em Minas Gerais”, aponta Mello.
Conforme seu estatuto, disponível no site da AMI, a entidade é uma associação civil de finalidade não lucrativa, voltada para unir jornalistas de destaque, promovendo atividades sociais, culturais e de caráter cívico.
O Brasil de Fato MG tentou contato com a AMI, que justificou a recusa em aceitar novos pedidos de filiação alegando que estes não estão em conformidade com as normas estatutárias. A AMI acrescenta que, originalmente, foi criada por iniciativa de empresas e, com a mudança para Belo Horizonte, abriu o quadro social para pessoas físicas. Após a pandemia, muitos associados pessoa física se afastaram, levando à decisão de retornar ao modelo de congregação apenas de empresas do setor de comunicação.
A associação também rejeitou a acusação de que a atual diretoria tem se reeleito continuamente.
