Revitalização do Mercado Eliava em Tbilisi
Localizado na capital da Geórgia, Tbilisi, o Mercado Eliava se destaca como um polo comercial vital para a cidade, sustentando a vida de centenas de trabalhadores. No entanto, o local enfrentava problemas sérios de gestão e conservação. Nesse contexto, a Terraviva Competitions, uma organização italiana que promove concursos de design e arquitetura, lançou um chamado para propostas que visassem requalificar esse espaço, caracterizado por corredores labirínticos com escassa ventilação e iluminação natural. A missão era clara: criar um projeto que não apenas melhorasse a funcionalidade do mercado, mas também respeitasse sua importância cultural.
Atraídos pelo desafio social, os estudantes Lucas Gabriel e João Paulo Souto, da Escola de Arquitetura da UFMG, apresentaram um projeto de revitalização que conquistou o primeiro lugar no concurso. Para a dupla, o Mercado Eliava é mais do que um ponto de vendas; é um “centro de vivências comunitárias”, onde pequenos comerciantes encontram seu sustento e a cultura local é cultivada.
Uma Abordagem Sustentável e Inclusiva
O projeto elaborado por Lucas e João se destacou por sua capacidade de equilibrar sensibilidade cultural e ambiental, com uma abordagem arquitetônica abrangente e bem articulada, conforme destacado pelo júri internacional do concurso, composto por arquitetos e designers de renome. A proposta se propôs a combinar aspectos sociais, ecológicos e econômicos, promovendo acessibilidade, sustentabilidade e inclusão, tudo isso para fortalecer a conexão entre a comunidade e o espaço urbano.
Início da Idealização do Eco-Hub de Eliava
Denominado Eco-Hub de Eliava, o projeto incorporou estratégias já discutidas nos trabalhos acadêmicos de Lucas e João, que, como bolsistas do Núcleo de Experimentações Tecnológicas (Next) da UFMG, estavam imersos em pesquisas sobre arquitetura e realidade aumentada. A idealização começou em novembro de 2024, quando a dupla se reuniu para discutir o programa e as possibilidades desse novo espaço.
No mês seguinte, com as ideias já traçadas, o desenho inicial ainda parecia um terreno em branco, apenas riscado por diagramas de fluxo. “Desde o princípio, nossa intenção era criar um ambiente que, por meio de sua infraestrutura, pudesse combater as desigualdades socioeconômicas de Tbilisi e incentivar uma renovação verde, amenizando os efeitos da crise climática”, detalha Lucas.
Em janeiro de 2025, o projeto começou a ganhar forma com as primeiras modelagens e detalhamentos, e em apenas 20 dias, todo o processo criativo estava delineado, desde o desenho das ruas até a estruturação das construções. “Esse é o ponto crucial do nosso trabalho, pois buscávamos integrar estratégias sociais, econômicas e ambientais de forma coerente e interligada”, complementa Lucas.
Transformação do Espaço Urbano
O Mercado Eliava, que surgiu após o colapso da União Soviética, agora é um exemplo de dinamismo econômico, reunindo uma variedade de comércio. Os concorrentes do concurso enfrentaram o desafio de transformar um espaço enclausurado, marcado por corredores estreitos e frágil infraestrutura, que havia sofrido um incêndio em 2018, que destruiu parte significativa do local. A proposta deveria não só modernizar o espaço, mas também preservar sua essência histórica e social.
Lucas explica como foi planejada a dinâmica do projeto: “Iniciamos com uma vila residencial que abrigaria diversas tipologias habitacionais, buscando evitar a gentrificação e o esvaziamento urbano. Essa vila se integraria a hortas e pomares comunitários para incentivar a agricultura urbana e fortalecer os espaços de convivência.”
Centrado na revitalização, um galpão industrial foi projetado para abrigar empresas que gerariam renda e sustentariam o complexo, ao lado de oficinas para fomentar a produção criativa. “O novo circuito comercial do Mercado Eliava foi pensado em módulos que podem ser adaptados pelos vendedores, permitindo flexibilidade em suas lojas”, detalha Lucas sobre a estrutura inovadora de montagem, que pode ser feita com impressoras 3D.
Um Ecossistema Urbano Sustentável
O novo layout do mercado foi desenvolvido de forma não linear, criando espaços irregulares que proporcionam liberdade de movimento aos pedestres e comerciantes. Esse conceito é entrelaçado por um parque multiespécies que se estende por todo o complexo, contribuindo para a mitigação das ilhas de calor e restaurando a biodiversidade local. Além disso, o projeto propõe um sistema de transporte multimodal, integrando rotas fluviais e terrestres, facilitando a movimentação de pessoas e mercadorias na região.
Lucas ressalta que a experiência acadêmica foi fundamental na elaboração do projeto, onde aplicaram conhecimentos sobre sustentabilidade e design inspirado na cultura local. “Queríamos valorizar a riqueza cultural em cada detalhe. Durante nossa formação, aprendemos sobre a história e a arte de diversas culturas, o que nos motivou a incorporar essas referências na nossa proposta arquitetônica”, finaliza Lucas.
Formação e Reconhecimento
Além de atuarem no Next, Lucas e João Paulo participaram de outros projetos institucionais na universidade, expandindo suas experiências e conhecimentos. O reconhecimento do projeto na Terraviva Competitions, uma plataforma internacional respeitada, confirma a relevância e a qualidade da proposta, promovendo um diálogo contemporâneo sobre arquitetura e a valorização de talentos emergentes.
