Desafios e Oportunidades para a Mobilidade na Região Metropolitana
O Governo de Minas Gerais está determinado a levar adiante uma das maiores obras de mobilidade da história da Região Metropolitana de Belo Horizonte. O projeto do Rodoanel Metropolitano, que visa retirar cerca de cinco mil caminhões por dia do Anel Rodoviário da capital, enfrenta desafios significativos, mas o secretário de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (Seinfra), Pedro Bruno, confirmou que o início das obras está programado para o primeiro semestre de 2026.
Inicialmente, o governo Zema havia prometido iniciar a construção em 2024, mas a falta de progressos adiou o cronograma. A nova expectativa para 2025 também não se concretizou, resultando em frustrações para a população e para as autoridades locais. “Quando a gente tirar mais de cinco mil caminhões por dia do Anel Rodoviário, das grandes avenidas de Belo Horizonte, Contagem e Betim, estaremos salvando vidas”, afirmou Bruno, ressaltando o impacto positivo que a nova rodovia terá na vida de aproximadamente seis milhões de habitantes da região.
Negociações com Municípios Atingem Acordos
Um dos principais entraves no avanço do Rodoanel Metropolitano tem sido a resistência de alguns municípios ao traçado proposto. Betim, que expressou preocupações iniciais sobre os impactos urbanos da obra, chegou a um entendimento com o governo estadual após ajustes técnicos na proposta. Em contrapartida, a cidade de Contagem continua a questionar o projeto, especialmente devido a temores sobre os possíveis impactos ambientais na região da Várzea das Flores e o corte de bairros densamente povoados.
Apesar dessas dificuldades, Pedro Bruno mencionou que houve avanços significativos nas negociações. “Conseguimos a adesão do município de Betim ao Rodoanel e tivemos um diálogo muito proveitoso com a prefeitura de Contagem”, explicou. O governo estadual está apostando na negociação para conquistar o suporte dos oito municípios que serão atravessados pelos aproximadamente 70 quilômetros da primeira fase da obra.
Licenciamento Ambiental: Um Obstáculo a Superar
Embora haja progresso nas discussões, o licenciamento ambiental permanece como o maior obstáculo para o início das obras. A Justiça Federal suspendeu a licença concedida à empresa responsável pela obra, apontando a falta de consulta prévia e informada às comunidades quilombolas afetadas pelo empreendimento. O secretário enfatizou que o Estado ainda precisa atender a várias etapas legais. “Ainda precisamos cumprir alguns ritos, sobretudo a questão da consulta livre, prévia e informada às comunidades quilombolas”, destacou Bruno.
Atualmente, uma mesa de conciliação está sendo realizada no âmbito do Judiciário, com novas reuniões agendadas para janeiro. O secretário acrescentou que, embora o governo não tenha controle total sobre os prazos, está se esforçando para acelerar o processo. “Seremos sempre propositivos e abertos ao diálogo para avançar com essa obra que trará benefícios a todos os mineiros”, afirmou.
Expectativas para o Início das Obras e Características do Projeto
Com as pendências ainda existentes, o governo mantém a expectativa de que as obras do Rodoanel Metropolitano comecem em 2026, mais especificamente no primeiro semestre. “Estamos com uma perspectiva real de início das obras”, afirmou Pedro Bruno, acrescentando que os projetos de engenharia continuam a avançar dentro do cronograma previsto. Ele expressou otimismo de que, uma vez superadas as questões ambientais e judiciais, as máquinas finalmente iniciarão o trabalho.
A empresa italiana INC S.P.A foi selecionada em 2023 para liderar a obra e a gestão da nova rodovia. O Rodoanel Metropolitano será uma rodovia de “classe 0”, o padrão técnico mais elevado, com duas faixas em cada sentido, acostamento ao longo de todo o percurso e canteiro central ampliado. Além disso, a via terá controle rigoroso de acessos, visando evitar o adensamento populacional em suas margens.
O projeto contará com um investimento de R$ 3,07 bilhões do governo estadual, tornando-se a maior Parceria Público-Privada (PPP) da história de Minas Gerais. Este montante provém do acordo judicial estabelecido com a Vale em decorrência do rompimento da barragem de Brumadinho, o que ressalta a relevância e a urgência desta obra para a região.
