Conexões Políticas entre Paraná e Minas Gerais
A recente decisão do PL de apoiar o senador Sérgio Moro (União) na corrida pela sucessão de Ratinho Jr (PSD) no Paraná pode ter repercussões significativas nas articulações políticas em Minas Gerais. Tanto o Paraná quanto Minas têm pré-candidatos à presidência da República, e a disputa nos dois estados promete esquentar, já que ambos os governadores atuais são protagonistas nas pesquisas de intenção de voto.
No estado paranaense, a ruptura entre o PL, liderado pelo senador Flávio Bolsonaro (RJ), e Ratinho Jr surge em um contexto onde este último é considerado o provável candidato do PSD à presidência. A relação entre os dois foi tensionada quando Flávio Bolsonaro e Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do PL, tentaram forçar Ratinho a integrar a chapa presidencial como vice, uma proposta que não obteve sucesso e levou o partido a optar pelo apoio a Sérgio Moro, um adversário direto de Ratinho.
Até o momento, Ratinho não divulgou quem será seu sucessor. Ele está indeciso entre o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, e seu secretário das Cidades, Guto Silva, ambos do PSD.
Na esfera mineira, o governador Romeu Zema (Novo) mantém firme sua intenção de concorrer à presidência. Entretanto, há um movimento dentro do PL, liderado pelo deputado federal Nikolas Ferreira, que defende o apoio ao vice-governador do PSD, Mateus Simões, que deve assumir o governo em breve, após a desincompatibilização de Zema. Apesar de seu laço com o PSD, Simões também deve sustentar a candidatura presidencial de Zema e, potencialmente, oferecer suporte a Flávio Bolsonaro, uma estratégia que busca consolidar um palanque robusto para o senador no estado.
Ainda assim, a aceitação de Simões entre os liberais é cautelosa, dada a sua performance nas pesquisas de intenção de voto. Além disso, a candidatura de Zema ao Planalto pode criar um cenário desafiador para Flávio Bolsonaro, uma vez que pode resultar em uma fragmentação de votos.
Por outro lado, o senador Cleitinho (Republicanos), que atualmente lidera as pesquisas em Minas, já declarou apoio a Flávio Bolsonaro, o que pode mudar o cenário político na região. Contudo, dentro do próprio PL, há uma facção, especialmente entre os “bolsonaristas raiz”, que critica tanto o governo de Zema quanto a figura de Mateus Simões. Este grupo sugere que o partido deve se alinhar com Cleitinho, que poderia até se filiar ao PL, assim como Sérgio Moro planeja fazer no Paraná.
A política, como sempre, é cheia de reviravoltas. Sergio Moro, que foi ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, deixou o governo em abril de 2020, acusando o presidente de tentar interferir na Polícia Federal, o que lhe rendeu uma imagem controversa. De herói da Lava Jato, que levou Lula à prisão, Moro viu sua trajetória se inverter, tornando-se um adversário. Contudo, a conveniência política pode ser um poderoso aliado: no segundo turno das eleições de 2022, ele já havia declarado apoio a Bolsonaro. Agora, aos poucos, Moro se prepara para se filiar ao PL e unir forças com Flávio Bolsonaro, um ex-oponente de suas anteriores críticas.
