Uma Celebração Marcante no Santuário São José
Nesta quarta-feira, 1º de abril, o Santuário São José, localizado no hipercentro de Belo Horizonte, recebeu centenas de fiéis para o tradicional Sermão do Encontro. Esse evento, que ocorre anualmente durante a Semana Santa, rememora a tocante cena em que Jesus, a caminho do Calvário, encontra sua mãe, Maria, um dos momentos mais simbólicos da Via-Sacra.
Desde o início da cerimônia, o clima foi de emoção, introspecção e reflexões profundas. Homens e mulheres formaram duas procissões separadas, saindo pelos portões laterais da igreja. Enquanto as mulheres carregavam a imagem de Nossa Senhora das Dores, os homens conduziam o Senhor dos Passos com a cruz, até que ambos se encontraram no altar, diante dos olhares atentos dos presentes.
Uma frase atribuída a Maria durante a homilia sintetizou os sentimentos vivenciados naquela noite: “Mesmo que todos lhe abandonem, eu estarei aqui.” Essa declaração ressoou profundamente entre os participantes, evocando uma conexão emocional intensa.
Tradições que Tocam o Coração
O padre José Luís Queimado, pároco e reitor do Santuário, ressaltou a importância do Sermão do Encontro, que ele considera uma das celebrações mais significativas entre os encontros de Jesus durante a Via-Sacra. “Há um grande encontro, o encontro principal, que é com a sua mãe. Imagine o coração dela, dilacerado ao ver tamanha dor e injustiça. Ao mesmo tempo, há um alívio para o filho ao vislumbrar um rosto que ama, que acolhe e que traz à mente a certeza de que não está sozinho,” explicou o sacerdote.
O padre também comentou sobre a carga emocional da celebração, que toca em sentimentos universais. “É por isso que muitos se emocionam e choram; é um encontro muito significativo para ambos,” continuou. Contrariando a interpretação popular que associa o termo ‘sermão’ a uma abordagem moralista, ele esclareceu que, na verdade, essa celebração se destina a provocar uma reflexão mais profunda sobre a vida dos participantes.
“Não se trata de um sermão moralista. É uma reflexão que nos convida a olhar para a nossa própria vida. Mães se veem representadas ao observar seus filhos carregando cruzes como a violência, as drogas ou o afastamento familiar. E os filhos também se questionam: que tipo de filho eu sou?” elucidou o padre José.
Reflexões que Transcendem a Igreja
A proposta do Sermão do Encontro, segundo o sacerdote, é que os fiéis levem essa reflexão para suas vidas além do espaço religioso. “Não é apenas para provocar emoção. É um chamado para vivenciar esses sentimentos, colocar em prática e transformar a própria vida,” afirmou.
A figura de Nossa Senhora das Dores, central na cerimônia, simboliza a compaixão e a fé diante das adversidades, refletindo o sofrimento de uma mãe que testemunha a dor de seu filho. Neste contexto, a procissão, guiada pelas mulheres, fortalece essa conexão espiritual. Um dos depoimentos marcantes veio de Célia Aparecida Monteiro, que participou do Sermão pela primeira vez. “É uma experiência que nos emociona profundamente. No interior, as imagens são maiores e conseguimos nos conectar mais, mas aqui também foi incrível. A fé é a mesma,” contou.
Um Sentimento de Alívio e Paz
Mãe e avó, Célia comentou que a vivência do Sermão ganhou um significado especial em sua vida pessoal. “O coração da gente dói. Mas ao ver o sofrimento de Nossa Senhora, percebo que o que passo é pequeno. A gente entrega tudo nas mãos dela e pede sabedoria,” destacou.
Após a celebração intensa, ela sentiu um alívio. “Entramos muito carregados, mas saímos mais leves, com o coração tranquilo. Isso é essencial,” relatou. Para Célia, a Semana Santa deve ser encarada como um período de oração e reflexão. “Não é uma semana de passeios, é uma semana de oração. Participar disso tudo faz uma diferença enorme,” completou.
