Pressões Internas no Novo Mineiro
Recentemente, a vereadora de Belo Horizonte, Marcela Trópia, foi citada em discussões do partido Novo sobre a eleição de 2026. Em um contexto onde sua votação em 2024 foi expressiva, Trópia se posiciona como uma figura relevante, tendo sido a quinta vereadora mais votada da capital, superando candidatos com maior experiência.
Após a divulgação dessa informação, membros do Novo buscaram esclarecer a situação ao portal Estado de Minas. De acordo com esses representantes, o partido ainda não definiu candidaturas individuais para 2026 e considera prematuras as projeções nesse sentido. A mensagem que transmitiram foi de prudência nas avaliações sobre as discussões internas, essenciais neste momento.
Reorganização e Conflitos Internos
Entretanto, essa situação não se dá sem um pano de fundo de tensão política. Informações obtidas indicam que a questão de Marcela Trópia está ligada a um rearranjo mais abrangente dentro do Novo em Minas Gerais, que inclui a definição de prioridades e centralização nas decisões partidárias. A autonomia dos mandatos vem sendo vista, agora, como um ponto de atrito, ao invés de um ativo político valorizado.
A pressão para que Trópia se afaste do partido antes das próximas eleições é crescente, e as conversas sobre essa situação têm ocorrido sem o envolvimento direto da vereadora. Relatos indicam que o descontentamento não é por divergências ideológicas, mas sim pela condução independente de seu trabalho e pela falta de alinhamento com o secretário da Casa Civil, Marcelo Aro. A autonomia da vereadora, que em certos momentos desconsiderou acordos políticos, gerou descontentamento entre aliados.
Entre os descontentamentos, destaca-se a oposição de Trópia ao impeachment de Gabriel Azevedo, então presidente da Câmara Municipal, e sua decisão de não reeleger-se para a presidência da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia. Tais posicionamentos contrariaram interesses de grupos que agora desempenham papéis significativos na reestruturação do campo político da direita em Minas Gerais.
O Dilema de Permanecer no Novo
Pessoas próximas a Marcela Trópia afirmam que a vereadora tem refletido sobre sua permanência no Novo diante das dificuldades que a legenda apresenta, especialmente em relação à proteção institucional que poderia oferecer em uma possível candidatura em 2026. Apesar disso, Trópia expressou o desejo de continuar no partido, mesmo após receber propostas de filiação de pelo menos quatro outras legendas do espectro político da direita.
Esse movimento ocorre em meio a mudanças significativas no Novo em Minas. O governador Romeu Zema tem planos de se afastar do cargo até abril, visando uma candidatura à Presidência da República. Seu vice, Mateus Simões, assumirá o governo já filiado ao PSD, partido que pretende usar para buscar a reeleição. Essa transição frustrou as expectativas da direção nacional do Novo, que aspirava a manter o controle do governo mineiro.
A Reestruturação e Seus Desafios
A reestruturação política no Novo tem se desdobrado fora das instâncias formais do partido, enquanto Marcelo Aro tem ampliado sua influência nos bastidores. Com a candidatura de Simões, Aro deverá assumir um papel essencial na articulação política, o que poderia limitar a autonomia de parlamentares independentes.
Esse cenário expõe uma contradição intrínseca: um partido que se aproxima de 2026 em uma posição menos vantajosa do que em 2018 e que precisa de alianças para se manter relevante, enquanto Marcela Trópia se destaca como uma vereadora com capital político significativo. Nas eleições de 2024, ela obteve 17.878 votos, um número que a posicionou entre as mais votadas da cidade, atrás apenas de Fernanda Pereira Altoé e à frente de candidatos de partidos com bancadas consolidadas, como Flávia Borja e Pedro Rousseff.
Essa situação é usada por aliados de Trópia como argumento para sustentar que uma eventual candidatura à Assembleia Legislativa ou à Câmara dos Deputados seria viável, independentemente das disputas internas do partido. Com uma votação que representou 1,48% dos votos válidos em Belo Horizonte, a vereadora é vista como uma figura-chave nas futuras articulações políticas da direita mineira.
