Queda e Resgate em Minas Gerais
Ana Cláudia Rodrigues da Silva Souza, de 41 anos, sobreviveu após ser empurrada de um penhasco com cerca de 50 metros no Parque Estadual da Serra do Rola Moça, região metropolitana de Belo Horizonte, na terça-feira (26). Em entrevista ao Fantástico, ela revelou que durante a queda sentiu que não morreria. “Naquele momento, pensava o tempo todo nos meus filhos. Parecia que Deus estava presente na minha vida. Caindo, eu senti que não ia morrer”, contou.
Após 24 horas de buscas, a vítima foi encontrada agarrada a um arbusto, distante do local onde caiu. A operação de resgate envolveu 20 militares, bombeiros e policiais que utilizaram técnicas especializadas e a aeronave Arcanjo para garantir a segurança da retirada.
Relato da Perseguição e Agressão
Ana Cláudia detalhou os momentos que antecederam o crime cometido pelo ex-companheiro Silvanildo Amâncio de Araújo Santos, de 52 anos, preso por tentativa de feminicídio. Segundo ela, ao deixar a filha na escola por volta das 9h, percebeu que era perseguida de carro por Silvanildo. Ela tentou fugir, mas foi alcançada e, sob ameaça de uma faca, foi obrigada a entrar no veículo. O suspeito, nervoso e agitado, disse que queria conversar.
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“Eu falei para ele: ‘Você vai me levar para me matar’. Ele respondeu, cínico: ‘Eu não vou te matar, eu te amo’. No parque, ele a agrediu e procurava um local para jogá-la. Próximo ao penhasco, dizia que ali não dava para ela morrer, enquanto a puxava e a impedindo de escapar. Mesmo se debatendo, ela não conseguiu se libertar”, relatou Ana Cláudia.
Sobrevivência e Denúncias Anteriores
Durante a noite no penhasco, a vítima, vestindo apenas uma blusa fina, sentiu muito frio e encontrou um buraco em uma pedra para se proteger. Ela viu luzes e pensou que o agressor estaria a procurando. O resgate só aconteceu na manhã seguinte com a chegada do helicóptero dos bombeiros.
A diarista revelou ter denunciado o ex-companheiro em 2020, mas ele não foi preso na ocasião. Atualmente, ela reforça a importância de que mulheres que sofrem agressões denunciem e não tenham medo. “Eu omitia muitas coisas, mas hoje sei que não preciso disso”, afirmou.
Prisões e Medidas Judiciais
Silvanildo foi preso em Várzea da Palma, no norte de Minas Gerais, na manhã do dia do crime. A prisão dele foi convertida em preventiva no dia seguinte, sem prazo determinado. A vítima possuía uma medida protetiva contra o ex desde 21 de maio, citada pela juíza Renata Nascimento Borges para justificar a manutenção da prisão, ressaltando que a liberdade do suspeito representava perigo concreto e a resposta estatal anterior não evitou a escalada da violência.
Confissão e Investigação
Em vídeo, o suspeito admitiu ter empurrado Ana Cláudia do penhasco e declarou ter sido ameaçado pela filha da vítima, sua enteada, além de usar um canivete para ameaçá-la. Ele também disse ter descido o penhasco para tentar resgatar a mulher, mas não conseguiu devido à distância. A polícia segue com a investigação do caso.
