Uma Homenagem à Vida e à Carreira da Ícone Teuda Bara
Teuda Bara, renomada atriz e fundadora do Grupo Galpão, faleceu no último domingo, 24 de dezembro, após complicações decorrentes de uma sepse e falência múltipla dos órgãos. Ela estava internada desde o dia 14 de dezembro no Hospital Madre Teresa, localizado na região Oeste de Belo Horizonte. A artista, que faria 85 anos no próximo dia 1º de janeiro, deixa um legado marcante no cenário teatral brasileiro.
Em uma nota divulgada, o Grupo Galpão expressou sua profunda tristeza com a partida de Teuda, afirmando que sua ausência representa uma perda inestimável não apenas para a companhia, mas para todo o teatro brasileiro e para aqueles que tiveram a sorte de conviver com ela. Na declaração, o grupo ressaltou: “Ao mesmo tempo, fica a profunda gratidão pela alegria, pela força e pela luz raríssima que Teuda espalhou ao longo de tantos anos de vida e criação”.
O impacto da morte de Teuda Bara reverberou entre os artistas de Minas Gerais. O estilista Ronaldo Fraga, por exemplo, compartilhou suas memórias sobre a atriz, destacando que “Teuda não sai de cena: sua presença e sua risada seguirão ecoando, teimosas, nos palcos e nas plateias — mesmo quando vazias — do teatro mineiro e do nosso coração”. Para Fraga, a arte que ela deixou é eterna e continuará a inspirar gerações.
A Trajetória de Teuda Bara no Teatro
Teuda Bara sempre teve uma ligação com a arte, que começou ainda na infância. Foi, no entanto, durante o curso de Ciências Sociais na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) que ela decidiu se aventurar de vez no teatro, marcando o início de uma carreira brilhante. Em 1982, junto a outros atores de Belo Horizonte, ela fundou o Grupo Galpão, que se tornaria uma referência no cenário cultural do Brasil.
A criação do Grupo Galpão aconteceu após a participação de Teuda e seus colegas em uma oficina ministrada por um grupo de teatro alemão. A artista compartilhou em uma entrevista no ano passado, para a série “Pausa pro Café” promovida pelo Galpão, como tudo começou: “A gente só resolveu seu galpão quando os alemães foram embora e levaram tudo que a gente tinha – as pernas de pau, os figurinos, toda a produção, era deles, foi tudo para a Alemanha. Um dia eu estou lá da minha casa, na Gameleira, e o Eduardo chega lá, parou o carro dele, uma brasília amarela, e falou comigo assim: ‘Teuda, vamos fazer um grupo de teatro, eu tenho um baú de figurinos que a gente pode criar personagens com esses figurinos e a gente faz um espetáculo e eu falei, claro!”
Teuda era conhecida por sua risada contagiante, uma de suas marcas registradas, que a acompanhou em sua trajetória não apenas no teatro, mas também na televisão e no cinema. Seu trabalho sempre foi pautado pela generosidade e pela coragem artística, conquistando o carinho e a admiração de colegas e fãs.
Velório e Homenagens Finais
O velório de Teuda Bara ocorrerá no Palácio das Artes, em Belo Horizonte, a partir das 10h desta sexta-feira, 26 de dezembro. A artista deixa seus filhos, André e Admar, que também compartilham do legado cultural que ela construiu ao longo de sua vida.
A partida de Teuda é um momento de reflexão sobre a contribuição dela para a arte e o teatro brasileiro. Sua história, marcada por amor e dedicação ao ofício, será sempre lembrada por aqueles que tiveram a oportunidade de testemunhar seu talento e sua paixão.
