Uma Grande Perda para a Cultura Mineira
A atriz Teuda Bara, uma notável figura do teatro mineiro, faleceu na última quinta-feira, dia 25, aos 84 anos. Natural de Belo Horizonte, ela se graduou em Ciências Sociais (Antropologia) pela UFMG, onde completou sua formação em 1974. Durante as celebrações pelos 94 anos da Universidade, em setembro de 2021, Teuda foi homenageada com a Medalha de Honra, que reconhece ex-alunos que se destacaram em suas áreas.
Seu velório ocorreu nesta sexta-feira, 26, no Palácio das Artes, em uma cerimônia aberta ao público. Amigos, contemporâneos e admiradores se reuniram para prestar suas condolências e relembrar a trajetória da atriz, que faleceu em decorrência de complicações após uma queda recente em sua residência.
A reitora da UFMG, Sandra Regina Goulart Almeida, expressou seu pesar em nota: “Hoje é um dia de luto não só para a cultura mineira, mas para toda a comunidade da UFMG. Teuda foi uma ex-aluna que teve um papel muito significativo em nossa Universidade. Ela impactou profundamente a cena teatral em Minas e em todo o Brasil, deixando um legado imensurável”, ressaltou.
Memórias de uma Artista Amada
Paulo Roberto Saturnino Figueiredo, professor aposentado da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) da UFMG e ex-diretor da unidade, foi uma das muitas vozes que lamentaram a partida de Teuda nas redes sociais. Ele descreveu Teuda como uma artista nascida para brilhar: “Teuda sempre foi uma grande artista. Sua risada genuína e seu espírito livre marcaram a vida de todos nós. Nos anos 80, ela decidiu dar vida ao óbvio e se lançar ao teatro, onde conquistou seu espaço com dedicação e paixão”, recordou em uma postagem no Facebook.
Ele continuou a reminiscência sobre os tempos de ditadura militar, onde a liberdade de expressão era um desafio: “Teuda era uma porta-bandeira de tempos em que a vida era vivida com autenticidade. Sua presença iluminava qualquer ambiente, e sua alegria era mais valiosa do que qualquer diamante”, afirmou, lembrando que sua partida ocorreu em um dia que deveria ser de celebração.
O professor Marcos Antônio Alexandre, que se especializou em teatro, também fez questão de prestar homenagem: “Teuda, seu sorriso vibrante ficará eternamente em nossas memórias! Tenho certeza de que você está agora espalhando sua alegria em outro plano. Você fará muita falta, mas sua presença continuará viva em nossas lembranças e na arte que você ajudou a construir”, escreveu.
A Ligação Inquebrantável com a UFMG
Nascida em 1941, Teuda Magalhães Fernandes cresceu em uma casa onde a arte era parte da rotina. Seu pai, um major do Corpo de Bombeiros, tocava trombone, enquanto sua mãe era enfermeira e cantora. Mesmo sem formação teatral formal, Teuda deu início à sua carreira nos palcos no início dos anos 70, quando ainda era estudante da UFMG. Rapidamente, ela abandonou os estudos acadêmicos para se dedicar totalmente ao teatro, onde se destacou por seu talento.
Após um período em São Paulo, sob a orientação de Zé Celso Martinez, Teuda retornou a Belo Horizonte e participou da oficina de teatro que daria origem ao renomado Grupo Galpão, fundado em 1982. Os encontros dessa turma em bares de Diamantina fortaleceram laços que resultaram em uma das mais significativas vertentes do teatro mineiro, com várias apresentações ao longo dos anos nos auditórios e gramados da UFMG.
Uma Última Apresentação Marcante
A última vez que o Grupo Galpão esteve na UFMG foi em julho de 2017, com o espetáculo “De tempos somos”, que lançou o Festival de Inverno daquele ano. Embora Teuda não estivesse no elenco, ela foi surpreendida e homenageada ao ser chamada ao palco para se juntar aos colegas na última música, um momento que emocionou todos os presentes.
Teuda deixou sua marca não apenas no teatro, mas também no cinema e na televisão, com participações memoráveis em obras como “O Palhaço”, de Selton Mello, e na novela “Meu Pedacinho de Chão”, dirigida por Luiz Fernando Carvalho. Nos últimos anos, ela também encenou peças mais íntimas e pessoais, como “Doida” (2015) e “Luta” (2019), que se tornaram marcos da cena teatral mineira.
Seu legado é ainda mais explorado no livro “Teuda Bara: comunista demais pra ser chacrete”, publicado em 2016 pelo jornalista João Santos, que acompanhou sua trajetória desde os tempos de universidade. O autor ressalta que a história de Teuda é, na verdade, um reflexo do teatro e da cultura do Brasil, sempre abordando uma perspectiva libertadora.
