Nova Legislação e Seus Impactos
A recente aprovação da lei que assegura a vacinação domiciliar para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), oficializada nesta terça-feira (30/12), foi celebrada por pais e especialistas na área. A medida, segundo o texto legislativo, visa promover a imunização desse grupo com a devida consideração às suas necessidades específicas.
A psicóloga Jéssica Nogueira Ribeiro, especialista em TEA, destacou que essa nova legislação representa uma oportunidade significativa para derrubar barreiras de acesso à saúde, assegurando que crianças autistas e suas famílias possam usufruir de um direito básico. “Muitas crianças no espectro autista têm uma sensibilidade sensorial acentuada, o que pode tornar a experiência de vacinação em ambientes coletivos, como postos de saúde, bastante desconfortável e até provocar crises”, explicou.
Desafios da Vacinação em Ambientes Coletivos
Ribeiro também ressaltou que a hipersensibilidade dos autistas pode se manifestar de várias formas, como aversão a certos sons, cheiros ou toques. Essa sensibilidade não se limita apenas ao ato da vacinação, mas também se estende ao trajeto até o local, que pode ser igualmente sobrecarregado de estímulos. “O transporte público, por exemplo, costuma ser barulhento e lotado, o que leva muitas famílias a postergar a vacinação, comprometendo assim o calendário vacinal”, acrescentou a profissional.
Dessa maneira, um ambiente familiar e controlado pode ser essencial para que a pessoa autista receba a vacina com menos estímulos negativos. Jéssica sugere que os pais expliquem detalhadamente o que acontecerá, evitando surpresas que possam gerar angústia.
Esclarecendo Mitos sobre a Vacinação
A psicóloga também enfatizou que não há evidências científicas que conectem vacinas ao autismo, esclarecendo que o transtorno não é uma doença transmissível. “As vacinas são seguras e salvam vidas. As famílias devem se sentir tranquilas; a vacina não causa autismo”, garantiu.
Experiência de Famílias com TEA
A professora Érica Santiago, mãe de Miguel, de 11 anos, que possui TEA nível dois, compartilha sua experiência na abordagem do tema da vacinação com o filho. Mesmo com o planejamento, ela observa que a ansiedade de Miguel em ambientes de vacinação é palpável, tornando necessário o apoio de duas pessoas para segurá-lo durante a aplicação. “Uma vez, tivemos que adiar a imunização porque a sala era muito pequena, e preferimos procurar outro posto que oferecesse um espaço mais confortável. Após a vacina, ele até agradeceu e se despediu”, contou Érica.
Com a nova possibilidade de receber a vacina em casa, Érica acredita que a experiência será muito mais tranquila para Miguel. “Acredito que, para ele e muitos outros autistas que precisam de suporte adicional, o ambiente domiciliar, que oferece familiaridade e conforto, será um facilitador importante”, afirmou.
A Importância da Implementação Prática da Lei
Jonathas Magalhães, pai de Heitor Afonso, de 7 anos, também vê a aprovação da lei como uma conquista, mas expressa a preocupação com sua aplicação efetiva. Ele acredita que a vacinação domiciliar pode não apenas reduzir o estresse, mas também evitar experiências traumáticas para as crianças autistas, promovendo dignidade e respeito. “Embora exista uma legislação que garante direitos, na prática, muitas vezes esses direitos não são respeitados. Portanto, é crucial que essa lei seja amplamente divulgada e que as famílias saibam como acessar esses serviços”, ressaltou.
Conhecendo a Nova Lei
A Lei nº 11.943 determina que indivíduos com TEA terão acesso a atendimento prioritário e individualizado, com a possibilidade de agendamentos domiciliares. A Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) se compromete a oferecer um ambiente mais confortável e seguro para a vacinação, minimizando o estresse e facilitando o acesso a serviços de saúde. Profissionais de saúde receberão treinamento para respeitar as necessidades sensoriais e comportamentais dessas pessoas.
A PBH informou que o agendamento para vacinação domiciliar poderá ser realizado a partir da próxima segunda-feira, dia 5 de janeiro, nas unidades de saúde, cujos endereços podem ser consultados no site oficial. Para efetuar o agendamento, é necessário apresentar um documento de identificação e um comprovante de residência. Futuramente, as marcações também estarão disponíveis online.
