Marcela Trópia e a Busca por uma Nova Identidade Política
A vereadora Marcela Trópia, do partido Novo, se posicionou à Rádio Itatiaia como um “respiro dentro do partido contra um bolsonarismo e um radicalismo” que, segundo ela, não refletem sua trajetória na política. Em um cenário marcado por debates acirrados, Trópia tem se destacado por suas posições diferenciadas em relação a seus colegas de bancada na Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH).
No último dia 3, enquanto seus companheiros de partido, Bráulio Lara e Fernanda Pereira Altoé, apoiavam um projeto de lei proposto por vereadores do Partido Liberal (PL), que visa restringir a participação de crianças em eventos como o Carnaval e a Parada do Orgulho LGBTQIAPN+, Trópia utilizou a tribuna para manifestar sua oposição à proposta. Esse ato de coragem a colocou em um campo de tensão, uma vez que a maioria de seus correligionários apoiava a medida.
Entretanto, ao chegar o momento da votação, a vereadora decidiu se abster, acompanhada por Altoé, o que gerou questionamentos sobre sua coerência política. Ao comentar a situação, Trópia mencionou que essa foi uma “oportunidade” para mostrar sua posição como uma “liberal moderada”. “Um lado da discussão me chamou de ‘liberaloide’, e o outro de ‘liberal clássica’. Isso indica que estou trilhando o caminho certo como moderada, que compreende a necessidade de um debate técnico”, refletiu.
Tensões Internas e Pressões no Novo
A postura dissidente de Trópia em relação às pautas defendidas pelo Novo na Câmara de BH e em Minas Gerais tem gerado um clima de tensão interna. Em uma recente entrevista à revista IstoÉ, a vereadora revelou estar enfrentando “pressão interna” para deixar o partido antes das eleições de 2026. Essa pressão, segundo a parlamentar, tem origem em suas posições independentes, que estão fora do controle do grupo denominado “família Aro”, que inclui políticos próximos ao secretário de Governo de Romeu Zema (Novo), Marcelo Aro (PP).
Essa situação reflete um panorama mais amplo dentro do Novo, onde a polarização de opiniões e a luta por espaço entre diferentes correntes ideológicas têm se intensificado. Trópia, ao adotar uma postura mais moderada, vem se distanciando do discurso predominante de seus colegas, que, segundo suas palavras, parece estar mais alinhado ao radicalismo do que à liberalidade que o partido deveria emanar.
O futuro político de Marcela Trópia, então, torna-se um ponto de interrogação. Para muitos, sua resistência em se alinhar com correntes mais extremas é uma demonstração de força e integridade. No entanto, a pressão para se conformar às diretrizes do partido pode levar à sua saída, algo que ela mesma não descartou.
Perspectivas Futuras para a Vereadora
Com as eleições de 2026 no horizonte, a trajetória política de Trópia será acompanhada de perto, tanto por seus apoiadores quanto por críticos. A maneira como a vereadora navega entre as tensões internas e suas convicções pessoais poderá influenciar não apenas sua carreira, mas também os rumos do partido Novo em Minas Gerais.
O que se observa, em última análise, é uma luta por um espaço político que, para muitos, parece estar se tornando cada vez mais restrito. Trópia, ao se afirmar como uma voz moderada, busca não apenas se afirmar, mas também proporcionar um novo espaço de discussão dentro do partido, desafiando seus colegas a repensarem suas posições em um cenário político cada vez mais polarizado.
