Um Novo Começo no Futebol Mineiro
O Villa Nova Atlético Clube entrou em uma nova fase de sua história centenária. Na noite da última quinta-feira, 15, durante uma reunião decisiva, o Conselho Deliberativo aprovou, por unanimidade, a venda da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) ao Boston City Group. Esta transação é liderada pelo empresário Renato Valentim, natural de Manhuaçu (MG).
Com essa decisão, o tradicional Leão do Bonfim adota um modelo de gestão empresarial, que prevê um investimento significativo de R$ 30 milhões ao longo de 10 anos. O foco será na reorganização financeira do clube, no fortalecimento das categorias de base e na modernização das instalações, tudo isso visando recuperar o protagonismo do Villa Nova no futebol mineiro.
Segundo o acordo, o Boston City Group terá a posse de 90% da SAF, enquanto os 10% restantes continuarão com o Villa Nova Atlético Clube, seguindo as diretrizes legais. Além disso, Renato Valentim se comprometeu a assumir a dívida consolidada do clube, que está estimada em R$ 13 milhões.
“Fazer um investimento somente em dinheiro não garante resultados efetivos. Nossa meta é administrar o clube com um planejamento sólido, processos claros e, acima de tudo, responsabilidade”, declarou Valentim.
Desafios Superados e Oportunidades Emergentes
A concretização da SAF resulta de um longo processo que começou em 2025, quando Anísio Clemente Filho foi convidado a assumir a presidência do Villa Nova. Naquele momento, o clube enfrentava uma grave crise financeira, sem certidões negativas e dificuldades para atrair investidores.
Anísio deixou claro desde o início que sua gestão seria temporária, com o objetivo de facilitar a transição para a SAF, em colaboração com o Conselho Deliberativo e o poder público municipal.
No entanto, o rebaixamento do Villa Nova no ano anterior no Módulo I do Campeonato Mineiro, apesar de ser um golpe duro, foi visto como uma oportunidade dentro do plano de reestruturação. O próprio investidor, Renato Valentim, avaliou que essa situação poderia proporcionar mais tempo para organizar o clube, aliviando a pressão por resultados imediatos.
A nova diretoria encontrou uma situação de grave desorganização financeira, com mais de 150 credores, incluindo dívidas trabalhistas e com diversos fornecedores. Muitas dessas obrigações não estavam formalizadas, o que aumentava o risco jurídico.
Em resposta a esse cenário, o clube iniciou um processo de recuperação judicial com o suporte do escritório Siqueira, de Belo Horizonte, especializado na área. As dívidas trabalhistas, previamente estimadas entre R$ 12 milhões e R$ 13 milhões, foram renegociadas e diminuídas para cerca de R$ 8 milhões, após discussões com mais de 30 advogados representantes dos credores. Todos os acordos foram homologados pela Justiça, com auditoria supervisionada.
Com autorização judicial, o clube também conseguiu a liberação de valores retidos das cotas de televisão, permitindo o pagamento da primeira parcela da recuperação judicial e a obtenção da Certidão Positiva com Efeito de Negativa.
Aprovação Unânime e Oportunidade de Crescimento
O projeto de SAF foi debatido em uma reunião na Associação Comercial de Nova Lima, onde a diretoria apresentou um alerta: sem a adoção deste modelo, o Villa Nova corria sério risco de falência. Diante desse quadro, a proposta foi aprovada por unanimidade.
Renato Valentim trouxe um projeto que conecta o passado glorioso do clube com a necessidade de inovação. Ele destacou a importância da história e da torcida do Villa Nova como fatores fundamentais para sua escolha.
“A escolha pelo Villa Nova foi natural. A história e a camisa do clube, além do apoio do poder público e da apaixonada torcida, são elementos que não posso ignorar”, ressaltou Valentim.
A estratégia esportiva vai seguir o modelo já aplicado pelo Boston City Group, com forte investimento nas categorias de base e a busca pela competitividade no futebol profissional.
Rumo à Elite do Futebol Mineiro
O projeto também se dedica a melhorar a infraestrutura do clube. O Villa Nova conta com um Centro de Treinamento municipal ainda não inaugurado, mas considerado moderno, além de um Estádio Municipal preparado para receber grandes eventos.
Valentim mencionou a colaboração do poder público local, citando o apoio do prefeito João Marcelo e do secretário de Esporte, Stefano Rodrigues, como fundamentais para o sucesso do projeto.
Nas categorias de base, o objetivo é conquistar, já em 2026, o Certificado de Clube Formador, dentro de um planejamento de investimento de longo prazo.
“O torcedor pode esperar um time forte ao lado da torcida, em busca do acesso à primeira divisão”, concluiu Valentim.
O primeiro grande teste do novo projeto será no Módulo II do Campeonato Mineiro, onde o Leão do Bonfim começará a medir a ambição do investimento e a cobrança por resultados em campo.
